A vida de Abdullah Shrem, um homem de negócios iraquiano, mudou quando os jihadistas entraram na sua aldeia, na província de Sinjar, no Iraque, e raptaram mais de 50 membros da sua família.

Os familiares de Abdullah Shrem fazem parte de um grupo de milhares de homens, mulheres e crianças da minoria yazidi que foi raptado ou morto pelos membros do Estado Islâmico. Outros fugiram.

Perante este cenário, Abdullah Shrem abraçou uma nova missão na vida: salvar as mulheres e raparigas tornadas escravas sexuais pelo Estado Islâmico e vendidas.

No dia em que a jornalista da CNN, Arwa Damon, o visita, Abdullah Shrem está a seguir o leilão online de uma menina, que é descrita como tendo onze anos, muito trabalhadora e virgem. A licitação arranca nos 9.000 dólares (mais de 8.000 euros).

Este é apenas um dos canais que este antigo homem de negócios segue. As fotografias e os contactos são muito importantes para conseguir a localização destas raparigas.

Num ano e meio, já conseguiu salvar 240 jovens das malhas do Estado Islâmico. Para isso criou, mesmo sem formação na matéria, uma rede de combate ao tráfico humano, usando contrabandistas que fornecem o Estado Islâmico.

Salvar estas crianças e mulheres tem custado a Abdullah Shrem a fortuna. Ele reconhece que não tem sido fácil, nem barato. Mas, “sempre que salvo alguém, dá-me forças e fé para continuar até conseguir salvar todas”.

Uma destas mulheres é Dileen (nome falso). Ela e a filha foram raptadas pelos jihadistas. Enquanto ela foi repetidamente violada, a filha de sete anos construía bombas artesanais.

No entendimento do Estado Islâmico, o Corão permite a violação de mulheres não-muçulmanas, bem como fazer delas escravas.