O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, instou esta quarta-feira a Indonésia a recordar-se da importante ajuda de Camberra aquando do devastador tsunami de 2004, elevando a pressão para que Jacarta poupe dois cidadãos australianos atualmente no corredor da morte.

As autoridades indonésias confirmaram que Andrew Chan, de 31 anos, e Myuran Sukumaran, de 33, cabecilhas do chamado grupo dos nove de Bali, que se dedicava ao tráfico de heroína, vão figurar no próximo conjunto de prisioneiros que vão enfrentar o pelotão de fuzilamento.

Contudo, Jacarta não revelou ainda quando vão ter lugar as execuções.

Tony Abbott afirmou que continua a fazer «as mais fortes representações pessoais» junto do Presidente indonésio, Joko Widodo, advertindo que ficaria «tremendamente desiludido» se os seus pedidos de clemência forem ignorados.

«A Austrália facultou assistência no valor de mil milhões de dólares», afirmou, referindo-se à ajuda concedida na sequência do tsunami que deixou 220 mil mortos em 14 países, dos quais quase 170 mil na Indonésia.

«Nós enviamos um considerável contingente das nossas forças armadas para apoiar a Indonésia com ajuda humanitária», sublinhou o primeiro-ministro australiano, acrescentando que a Austrália está sempre disponível para ajudar a Indonésia e que espera reciprocidade desta forma neste momento.

Na terça-feira, foi dada a Chan e Sukumaran um vislumbre de esperança, uma vez que a transferência para o estabelecimento prisional onde serão executados foi adiada, com o gabinete do Procurador-Geral da Indonésia a indicar que não irá ocorrer esta semana.

O adiamento ocorreu em resposta ao pedido de Camberra para que os dois cidadãos australianos pudessem passar mais tempo com os seus familiares e devido a dificuldades logísticas relacionadas com a capacidade da prisão da ilha de Nusakambangan.

Jacarta insistiu, porém, que a execução dos australianos vai realizar-se, uma vez que viram ser-lhes negado os pedidos de clemência.