O português Tiago Guerra deixou na terça-feira a prisão de Becorá, em Timor-Leste, onde estava detido preventivamente desde outubro do ano passado.
 
Nos últimos oito meses nunca chegou a ser formulada nenhuma acusação, mas nos próximos tempos não poderá sair de Díli, obrigado que está a apresentar-se semanalmente às autoridades.
 
Em Timor como consultor do Banco Mundial, foi detido por suspeita de branqueamento de capitais, tendo ficado preso preventivamente.
 
Em declarações à TVI, via telefone, Tiago Guerra contou como foram as primeiras horas em liberdade.

“Foram fundamentais não só para manter, digamos, a cabeça mais sã e com esperança, mas também para ver que, apesar de estar na prisão, sentimos que cá fora as coisas iam avançando", contou.

Durante oito meses, Tiago Guerra passou 19 horas por dia fechado numa cela, enquanto cá fora família, amigos e algumas figuras públicas lutavam pela sua libertação. As coisas avançaram e a boa notícia chegou na terça-feira, pouco depois de uma visita especial, a da primeira-dama de Timor-Leste.
 
Já em liberdade, Tiago Guerra cumpriu promessas e matou saudades.

“A primeira coisa foi a promessa de um amigo a outro amigo, que diziam entre eles que eu havia de tomar um banho”, disse à TVI.

 Seguiram-se boas refeições, já que na prisão não havia peixe e carne era apenas três vezes por semana, e um momento especial: falar, através do Skype, com os filhos, que estão em Portugal.

"Eles estavam todos aos pulos em Portugal, contentíssimos”, descreveu.

 Tiago Guerra vive agora provisoriamente em casa de um amigo. Sujeito a termo de identidade e residência, diz estar totalmente disponível para colaborar com as autoridades e quer provar a sua inocência.

Quanto ao futuro, quer "ter uma parte mais ativa na sociedade”. “Os últimos oito meses foram um desperdício das capacidades de todos nós, desta família toda, que teve de largar muitas coisas para se dedicar a esta defesa."