Começou o roda-bota fora. É o primeiro round de escolha do próximo líder do Partido Conservador e futuro primeiro-ministro britânico, sucessor do demissionário David Cameron.

Theresa May, ministra do Interior, aparece no top das preferências entre os 330 deputados conservadores. Concorre com outros quatro candidatos, Liam Fox, Michael Gove, Stephen Crabb e Andrea Leadsom, que recebeu nas últimas horas o apoio do ex-presidente da Câmara de Londres, Boris Johnson, um dos protagonistas na defesa do Brexit.

Ela tem melhores conhecimentos de Finanças do que quase todos os outros no parlamento. Tem uma considerável experiência de governação. É inteligente, simpática, confiável, acessível e com um bom sentido de humor”, sublinhou Boris Johnson, para justificar o apoio à sua colega de partido e ministra da Energia, de 53 anos.

O apoio de Johnson a Andrea Leadsom surge após o antigo mayor ter surpreendido ao não entrar na corrida para a liderança dos conservadores, aparentemente porque Michael Gove lhe terá tirado o tapete. Ou seja, retirou-lhe o apoio e avançou como candidato.

Como amor com amor se paga, Boris Johnson surge agora a apoiar Andrea Leadsom, cuja família até viveu em Portugal durante uma década. Ambos foram claros defensores do Brexit.

Ao longo do dia, os deputados conservadores vão escolher entre os cinco candidatos. Cerca das 19h deverá ser conhecido quem reuniu menos votos e ficará de fora na próxima ronda, prevista para quinta-feira.

Depois haverá um terceiro round, provavelmente a 12 de Julho. Ficarão apenas dois candidatos, que serão posteriormente sufragados pelos militantes conservadores. O próximo líder e futuro primeiro-ministro britânico será consagrado no congresso, marcado para o início de outubro, na cidade de Birmingham.

A lei contra o Brexit

Enquanto os conservadores escolhem o seu novo líder e os trabalhistas estão também numa roda-viva - após o seu líder, Jeremy Corbyn, ter sido reprovado por três em cada quatro deputados – as ondas de choque do Brexit ameaçam chegar agora aos tribunais.

O escritório Mishcon de Reya, com cerca de 400 advogados, quer avançar com uma batalha legal para obrigar o parlamento britânico a debater a saída da União Europeia. Garantem que representam um grupo de cidadãos, que inclui empresários e professores universitários, e que as leis estão a ser desrespeitadas.

Em causa, segundo o escritório de advogados, está a necessidade do parlamento debater e votar o Brexit, antes de o próximo primeiro-ministro poder acionar a saída do Reino Unido da União Europeia. Até porque o referendo, em que cerca de 52% dos britânicos escolheram a saída, é apenas indicativo.

O resultado do referendo não está em dúvida, mas precisamos que o processo seguinte respeite as leis britânicas. (…) O artigo 50 [do Tratado de Lisboa] não pode ser invocado sem um completo debate e votação no parlamento”, referiu um representante da firma de advogados, de seu nome Kasra Nouroozi, citado pela imprensa britânica.