O furacão Harvey já bateu um recorde de precipitação comparando com os outros ciclones tropicais que afetaram os Estados Unidos. A chuva alcanou as 49,32 polegadas (125,3 cm) no sudeste de Houston, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia. O presidente norte-americano viajou até ao Texas para ver de perto os prejuízos e já admitiu que a tempestade tropical vai sair bem cara.

"Os danos causados ​​pela tempestade tropical Harvey terão um custo elevado", admitiu Donald Trump, aqui citado pela Lusa, durante a visita ao centro de operações de emergência em Austin, no Texas.

O líder norte-americano garantiu que o congresso vai encontrar a "solução certa" para ajudar as vítimas, nomeadamente através da realocação de ativos. Já ontem tinha prometido viabilizar um pacote de milhares de milhões de dólares, uma vez que os fundos existentes acabam em breve.

Por sua vez, o fundador da agência de modelização Enki Research, Chuck Watson, afirmou que os custos dos desgastes provocados pela tempestade podem atingir os 42 mil milhões de euros. A confirmar-se, estes custos podem ficar entre os cinco maiores alguma vez registados nos EUA.

O essencial das operações está focado na retirada das populações e no socorro aos afetados, mas a questão do impacto sobre a economia do Texas, o segundo maior Estado dos EUA, em termos de superfície e população, vai tornar-se essencial.

“Se Harvey fosse uma tempestade como as outras, falaríamos de estragos em torno dos quatro mil milhões de dólares”, sublinhou Chuck Watson. “Seria trágico para as pessoas afetadas, mas não se falaria do impacto no conjunto da economia”, acrescentou.

Mas, com estragos quantificados em 42 mil milhões de dólares, Harvey fica ao nível dos furacões Ike, que atingiu o Texas e parte das Antilhas e Caraíbas em 2008, provocando estragos avaliados em 43 mil milhões de dólares, e Wilma, que devastou o norte dos EUA, em 2005, que destruiu o equivalente a 38 mil milhões de dólares. O valor mais alto deste tipo de destruição é o do Katrina (118 mil milhões de dólares), ocorrido em 2005.

Entretanto, a devastação é tal que se diques chegaram a transbordar, o que obrigou à retirada de populações. Há milhares e milhares de pessoas deslocadas e o número de mortos continua a subir. A última atualização dá conta de que pelo menos 11 pessoas perderam a vida. Um polícia foi encontrado morto dentro de um carro, na sequência das inundações. 

Há mais de 50 anos que um furacão não deixava um rasto de destruição tão grande no sul dos EUA e teme-se que o pior ainda está para vir.

Em termos de precipitação, o recorde anterior, no Texas, tinha sido em 1978 com o ciclone Amelia, em Medina. Em todos os EUA, é preciso recuar a 1950, quando o furacão Hiki causou muita destruição. 

Os apelos para ajuda às populações têm-se multiplicado. Ontem, uma imagem tornou-se viral e representativa do pânico que as pessoas estão a viver do outro lado do Atlântico: idosos num lar, quase submersos, que foram salvos a tempo graças à internet.

No Texas para enfrentar o furacão, Donald Trump tem outra frente de batalha, a nível político, com que se bater: a Coreia do Norte, que lançou ontem um míssil que atravessou o Japão. O presidente dos EUA já deixou o aviso: “Todas as opções estão em cima da mesa”.