A esperança de encontrar pessoas vivas nos escombros deixados pelo terramoto que atingiu, este sábado, o Nepal vai sendo cada vez menos, mas de muito valeu a um homem que foi encontrado com vida quatro dias depois do abalo. Rishi Khanal estava debaixo dos escombros de um prédio em Kathmandu e conta que bebeu da própria urina para se manter vivo.



O jovem explica que se encontrava no segundo andar do edifício e estava prestes a sair para ir apanhar o autocarro numa localidade próxima, quando de repente tudo começou a abanar. Durante mais de três dias fez de tudo para se manter vivo e para que o ouvissem. 

«Não havia nenhum som a entrar ou a sair. Continuei a bater contra os escombros e, finalmente, alguém respondeu e veio ajudar-me. Já tinham passado quatro dias. Não tinha comida nem bebida, então bebi a minha própria urina.»

Khanal conta que estava rodeado de cadáveres que propagavam um «cheiro terrível» e que passado tanto tempo já não tinha esperanças de ser encontrado. O corpo já dava sinais de desistência.

«Tive sempre alguma esperança, mas ontem acabei por desistir. As minha unhas estavam a ficar brancas e os meus lábios rachados. Perdi toda a esperança ontem e eu tinha a certeza de que ninguém estava a vir ao pé de mim. Tinha a certeza que ia morrer».

Segundo um jornal local, o sobrevivente foi encontrado 82 horas depois do abalo por uma equipa francesa e pela polícia nepalesa, que trabalharam durante dez horas para conseguir libertar o jovem preso na perna por uma viga.

«Começámos a escavar um buraco no cimento, seguindo as instruções da equipa francesa e depois cortámos a viga que matinha a sua perna presa», explica o agente da polícia nepalesa, Narayan Thapa.

Logo que retirado dos escombros, o sobrevivente foi transportado para um hospital na capital, Katmandu, onde continua a receber tratamentos.



Quatro dias passados do terramoto de magnitude 7.8, o número de vítimas no Nepal subiu para 5006, segundo um assistente de saúde do Ministério do Interior. Quase 10 mil pessoas ficaram feridas e mais de 80 morreram na Índia e no Tibete.



As equipas de resgate admitiram entretanto que cometeram alguns erros na resposta inicial, inclusive deixar alguns sobreviventes presos em aldeias remotas à espera de ajuda. Muitos sobreviventes dormem ao relento em tendas improvisadas e a estes também são poucas as ajudas que chegam.

«Isto é um desastre numa escala sem precedente. Tem havido algumas fraquezas na gestão da operação de socorro», afirmou esta terça-feira a Ministra da Comunicação do Nepal, Minendra Rijal.


Vários helicópteros de resgate sobrevoam o Nepal, mas têm sido incapazes de aterrar nas áreas montanhosas.
Shambhu Khatri, técnico a bordo de um dos helicópteros, conta que «encostas inteiras desabaram em várias partes do distrito mais atingido Gorkha» o que torna o acesso impossível.

«O grande desafio é encontrar um lugar para pousar».


Um assistente de saúde em Laprak estima que tenham ficado arrasadas pelo terramoto entre 1.600 e 1.700 habitações.



Logo após o terramoto, os hospitais da capital Katmandu e de outras cidades transbordaram com pessoas feridas, sendo que muitas têm sido tratadas a céu aberto. O ministro dos negócios estrangeiros, Shanker Das Bairagi, já apelou aos médicos especialistas do exterior, bem como a equipas de busca e resgate, que se desloquem para ajudar.

«A nossa prioridade é para as equipas de socorro e salvamento. Precisamos de neurologistas, cirurgiões ortopedistas e cirurgiões de trauma».

  Este foi o maior terramoto que abalou o país em mais de 80 anos.