O jovem explica que se encontrava no segundo andar do edifício e estava prestes a sair para ir apanhar o autocarro numa localidade próxima, quando de repente tudo começou a abanar. Durante mais de três dias fez de tudo para se manter vivo e para que o ouvissem. 

«Não havia nenhum som a entrar ou a sair. Continuei a bater contra os escombros e, finalmente, alguém respondeu e veio ajudar-me. Já tinham passado quatro dias. Não tinha comida nem bebida, então bebi a minha própria urina.»

«Tive sempre alguma esperança, mas ontem acabei por desistir. As minha unhas estavam a ficar brancas e os meus lábios rachados. Perdi toda a esperança ontem e eu tinha a certeza de que ninguém estava a vir ao pé de mim. Tinha a certeza que ia morrer».

«Começámos a escavar um buraco no cimento, seguindo as instruções da equipa francesa e depois cortámos a viga que matinha a sua perna presa», explica o agente da polícia nepalesa, Narayan Thapa.

Quatro dias passados do terramoto de magnitude 7.8, o número de vítimas no Nepal subiu para 5006, segundo um assistente de saúde do Ministério do Interior. Quase 10 mil pessoas ficaram feridas e mais de 80 morreram na Índia e no Tibete.

As equipas de resgate admitiram entretanto que cometeram alguns erros na resposta inicial, inclusive deixar alguns sobreviventes presos em aldeias remotas à espera de ajuda. Muitos sobreviventes dormem ao relento em tendas improvisadas e a estes também são poucas as ajudas que chegam.

«Isto é um desastre numa escala sem precedente. Tem havido algumas fraquezas na gestão da operação de socorro», afirmou esta terça-feira a Ministra da Comunicação do Nepal, Minendra Rijal.

Vários helicópteros de resgate sobrevoam o Nepal, mas têm sido incapazes de aterrar nas áreas montanhosas.

Shambhu Khatri, técnico a bordo de um dos helicópteros, conta que «encostas inteiras desabaram em várias partes do distrito mais atingido Gorkha» o que torna o acesso impossível.

«O grande desafio é encontrar um lugar para pousar».

Um assistente de saúde em Laprak estima que tenham ficado arrasadas pelo terramoto entre 1.600 e 1.700 habitações.

Logo após o terramoto, os hospitais da capital Katmandu e de outras cidades transbordaram com pessoas feridas, sendo que muitas têm sido tratadas a céu aberto. O ministro dos negócios estrangeiros, Shanker Das Bairagi, já apelou aos médicos especialistas do exterior, bem como a equipas de busca e resgate, que se desloquem para ajudar.

«A nossa prioridade é para as equipas de socorro e salvamento. Precisamos de neurologistas, cirurgiões ortopedistas e cirurgiões de trauma».

Este foi o maior terramoto que abalou o país em mais de 80 anos.