O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), do presidente turco, Recep Erdogan, venceu as eleições legislativas de hoje na Turquia e já garantiu, com mais de 90% dos votos contados, a maioria absoluta no Parlamento, segundo dados oficiais.

Segundo os dados provisórios oficiais, apesar de ter obtido cerca de 50% de votos, o AKP já elegeu 320 deputados, mais de metade dos 550 assentos no parlamento, pelo que irá recuperar a maioria absoluta perdida nas eleições de junho passado.

Segundo a imprensa turca, não está posta de parte a possibilidade de o AKP poder atingir dois terços dos deputados (367 parlamentares), o que permitiria a Erdogan deter poderes para alterar a Constituição.

Antes da votação, as sondagens davam ao AKP entre 40% e 43% dos votos, resultado que seria insuficiente para governar sozinho.

De acordo com os dados oficiais, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) está em segundo lugar, com 24,5% dos votos, seguido pelo Partido da Ação Nacionalista (MHP, direita), com cerca de 12%, ambos muito abaixo do que obtiveram nas eleições de 07 de junho.

O Partido Democrático dos Povos (HDP, pró-curdo) assegurou à justa a manutenção no parlamento ao recolher 10,4% dos votos ultrapassando em quatro pontos percentuais o mínimo necessário para chegar à assembleia nacional.

Pouco depois de se saberem os primeiros resultados, que apontavam a vitória de Erdogan com maioria absoluta registaram-se confrontos entre a polícia e jovens manifestantes curdos em Diyarbakir, "cidade feudo" dos independentistas no sudeste da Turquia.

A polícia disparou granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que se tinham concentrado na sede regional do HDP naquela cidade.