A diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, apelou hoje para uma «ação global» para acabar com a indústria tabaqueira e elogiou os progressos mundiais feitos na luta contra o tabagismo.

Falando na Conferência Mundial do Tabaco, que decorre na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, Margaret Chan felicitou os vários países, como a Austrália, que introduziram embalagem simples nos pacotes de cigarros, exortando outros Estados a adotarem a mesma decisão.

A responsável da agência da ONU assinalou que as empresas de tabaco «usam todo tipo de táticas, incluindo o financiamento de partidos políticos e de políticos individualmente para trabalhar para elas» e que «não há nada que não explorem para prejudicar os governos na sua determinação de proteger o próprio povo».

«Vai ser uma luta dura» mas «não devemos desistir até termos a certeza de que a indústria tabaqueira acabou», assegurou Margaret Chan.

Em 2014, a OMS lançou novas orientações, no âmbito da Convenção Quadro de Controle do Tabaco, a exortar os Estados membros da ONU a aumentarem os impostos que incidem sobre produtos derivados do tabaco, produto que anualmente mata cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a agência.

«O tabagismo caiu em vários países maioritariamente graças às medidas legislativas», afirmou Margaret Chan, apontando o mais recente relatório da OMS, em que se demonstra que a proporção de homens que fumam registou uma queda em 125 países.

Para a diretora geral da OMS, ser não fumador «está a tornar-se uma norma».

«Estamos felizes por ver esse progresso em tantos países», disse à AFP à margem da conferência, onde instou as nações que produzem folhas de tabaco para «se moverem mais rápido» no combate ao tabagismo, estabelecendo parcerias com a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a OMS.

Na véspera da preparação da Conferência das Partes da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (COP6), que decorreu em outubro último na Rússia, diversos produtores africanos de tabaco mostraram-se alarmados com a suposta exclusão dos governos de África nos debates sobre políticas ligadas à indústria tabaqueira.

«As pessoas que definem estas políticas estão completamente alheadas da realidade e não conseguem reconhecer o contributo económico positivo da produção de tabaco em África», disse na altura o presidente da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA, sigla em inglês), François van der Merwe.

Aquele responsável afirmou que os produtores do Zimbabué, do Maláui, da Zâmbia, do Quénia e da África do Sul consideravam o tabaco «uma cultura de elevado valor comercial e bastante adequada à agricultura de pequena escala, tendo mudado para melhor a vida de muitos agricultores africanos», pelo que os produtores exigiam a sua inclusão nos debates da OMS sobre as políticas do setor.

Até 2025, a OMS pretende reduzir para 30 por cento o consumo de tabaco, pelo que Margaret Chan afirmou que, apesar de uma queda no número de fumadores em muitos países é necessário fazer muito mais para conter a prática do uso de tabaco.