Cinco pessoas saíram do café da cidade australiana de Sidney, onde um homem armado e com uma bandeira islâmica fez às primeiras horas desta segunda-feira um número indeterminado de reféns. A polícia australiana não confirma ainda o número de pessoas sequestradas, nem se em causa está um ataque terrorista. 



Imagens transmitidas pelas televisões mostraram, quase uma hora depois de três homens terem deixado o café, duas mulheres a saírem a correr do local. No entanto, desconhece-se se os cinco reféns em causa escaparam ou se foram libertados pelo sequestrador.

Um dos reféns que saiu do café foi encaminhado ao hospital, mas tudo indica que seria por causa de um problema de saúde já existente, que nada tem a ver com o que aconteceu esta segunda-feira. 

O homem armado fez hoje um número indeterminado de reféns e foi exibida uma bandeira islâmica pela janela. Os reféns aparentemente deixaram as instalações por uma porta lateral que estava a ser vigiada por um contingente policial fortemente armado, há mais de 10 horas depois do início do impasse.

Não há, contudo, informações sobre o número de pessoas que permanece no interior do café.

Com receio de que possa tratar-se de um atentado terrorista, a polícia encerrou o Parlamento da Nova Escócia do Sul e a sede do Banco da Austrália. Testemunhas dizem que viram uma bandeira preta e branca semelhante à do Estado Islâmico no interior do café, segundo o «The Guardian», não é afeta àquele grupo extremista, o que não quer dizer que não esteja envolvido. A frase contida na bandeira, segundo o repórter do mesmo jornal, é «Não há nenhum deus além de Deus, Maomé é o mensageiro de Deus».


O relato de um português que trabalha perto do café

 A polícia australiana informou que apenas um homem armado mantém um número indeterminado de reféns no interior de um café em Sydney, indicando ser cedo para falar de uma operação terrorista. «Eu posso-vos confirmar que temos um criminoso armado nas instalações, que detém um número indeterminado de reféns na cidade, na zona de Martin Place», disse o comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Andrew Scipione, em conferência de imprensa.

O comissário da polícia de Nova Gales do Sul afirmou, porém, que as autoridades ainda não confirmaram tratar-se de um incidente relacionado com terrorismo.

«Estamos a lidar com uma situação de reféns com um criminoso armado e a lidar com isso em consonância», disse, acrescentando: «Nós queremos resolver o caso pacificamente e faremos tudo o que for preciso para garantir isso mesmo».


Há um grande aparato na zona, com veículos e equipas especiais de segurança. A circulação de autocarros foi interrompida e o espaço aéreo está condicionado. Há helicópteros da polícia no ar, a redirecionar os voos. 

Segundo Ray Hadley , da rádio 2GB, os sequestradores querem falar com o primeiro-ministro, Tony Abbott, ao vivo, em antena. O chefe de Governo emitiu, entretanto, um comunicado, dizendo que «é um incidente profundamente preocupante, mas todos os australianos devem estar certos de que os agentes aplicação da lei e de segurança estão bem treinados e equipados e estão a responder de forma completa e profissional» ao sequestro, prometendo, ainda «atualizações regulares» sobre o desenvolvimento das operações. 

Refém envia SMS à mãe

A imprensa local identifica o presumível sequestrador como um homem de 40 anos, de feições árabes, com as imagens divulgadas pelo canal 9 News a mostrar o suspeito vestido de negro, com uma mochila e um gorro, com o que parecem ser inscrições em árabe.

Além da zona financeira de Martin Place, também foi evacuada a Sidney Opera House, um ícone da cidade, com um porta-voz da polícia de Nova Gales do Sul a referir-se a um «incidente» e a confirmar uma intervenção, tendo o tráfego na área sido desviado.

A Austrália elevou, em setembro último, o nível de alerta terrorista de «médio» para «alto» pela primeira vez em dez anos.

A participação de tropas australianas em missões contra os jihadistas no norte do Iraque e na Síria e os receios relativamente ao regresso de extremistas nascidos na Austrália ou com passaporte do país que combatem nas fileiras do Estado Islâmico (EI) foram duas das razões invocadas.

Segundo as estimativas de Camberra, participam em combates na Síria e no Iraque mais de 160 australianos, dos quais pelo menos 20 conseguiram regressar ao país, cuja legislação prevê penas de até 20 anos de cadeia para os cidadãos que se envolvem em conflitos armados no estrangeiro.

As autoridades australianas têm levado a cabo inúmeros raides policiais, de grande aparato e dimensão, nas principais cidades no quadro da luta contra presumíveis terroristas.