A menor espanhola alegadamente vítima de bullying, e que na passada sexta-feira pôs termo à vida, tinha apresentado queixa policial a 29 de abril, segundo o El País, na sua edição desta terça-feira.

O agressor, também menor, perseguia a rapariga de 16 anos através de mensagens de telemóvel e ameaças verbais de violência física, consta no documento a que o jornal espanhol teve acesso, forçando a vítima a dar-lhe dinheiro para não sofrer as consequências.

“O que andas a dizer de mim sua p…? Vais dar-me 50 euros ou eu, as minhas primas e mais gente vamos apanhar-te”, terá escrito o suspeito, de 17 anos, aluno da mesma escola, em Madrid.

Na denúncia constam, ainda, referências a mais agressores, “uns quatro ou cinco alunos”.
 
Nas redes sociais já circulam os nomes dos presumíveis agressores, especulação que a escola receia que possa gerar problemas maiores.
 
A 29 de abril, a menor, acompanhada pela mãe, apresentou queixa por recomendação do estabelecimento de ensino que frequentava, a Ciudad de Jaén, em Usera, na capital espanhola.
 
A adolescente, que tinha uma incapacidade intelectual de cerca de 30%, era descrita pelos colegas como uma jovem tímida e discreta. Com os professores partilhou as perseguições de que era alvo e que conduziram a uma segunda queixa, para dar conta de mais agressores, apresentada no passado dia 18 de maio, a mesma semana em que decidiu pôr termo à sua vida.
 
Segundo a primeira queixa apresentada, a rapariga contou que recebia mensagens de áudio e texto do suposto número do agressor. A primeira referência remonta a 15 de fevereiro, três meses antes do trágico desfecho. Os professores conheciam as ameaças.
 
O alegado agressor forçava a vítima a dar-lhe dinheiro, que usou, por exemplo, para comprar o passe de transportes públicos, de acordo com a queixa. Dinheiro que a jovem conseguia mediante a realização de recados.
 
A vítima contou também à polícia que ela não era o único alvo do agressor e que a direção da escola tinha conhecimento do que se passava.
 
A instituição garante que acionou o protocolo relativo ao bullying, mas a inspeção escolar abriu um inquérito disciplinar ao diretor.
 
Para o Conselho de Educação de Madrid, a escola falhou e suspendeu o diretor. “Não cumpriu o protocolo de atuação ao conhecer previamente o caso e não o ter denunciado à Direção de Área Territorial ou à Inspeção Educativa”, consta numa nota divulgada pelo diário espanhol.
 
Segundo ainda a queixa apresentada, vítima e agressor tinham sido amigos até ao momento em que a jovem decidiu afastar-se. Comentou com as amigas que “já não confiava nele” e os “constantes insultos” começaram a partir deste momento.
 
Era incluída em grupos de mensagens no WhatsApp (serviço gratuito de mensagens instantâneas de texto e voz para smartphones), dos quais se desvinculava, e onde era insultada e ameaçada. Também lhe telefonavam de diferentes números.
 
Foi através do WhatsApp que se despediu dos colegas que sempre a defenderam, agradecendo-lhes.