Um cartaz num aparthotel em Arosa, no leste da Suíça, muito frequentado por judeus ultra-ortodoxos criou polémica e levou mesmo a protestos diplomáticos formais da parte de Israel junto das autoridades helvéticas. Em causa, as frases escritas pela gerente da unidade, Ruth Thomann, a exigir que os hóspedes tomassem um duche antes de entrar na piscina.

Para os nossos hóspedes judeus. Mulheres, homens e crianças, por favor tomem um duche antes de ir nadar. Se infringirem as regras, serei forçada a encerrar a piscina para vós", lia-se no cartaz, que a gerência entretanto retirou, mas que foi amplamente divulgado nas redes sociais, por utilizadores indignados que consideraram tratar-se de uma manifestação de antisemitismo.

Protestos diplomáticos

O cartaz colocado no hotel dos Alpes levou a ministra israelita dos Negócios Estrangeiros a exigir explicações da diplomacia suíça. Tzipi Hotovely considerou tratar-se de "um ato antisemitismo do pior e mais feio tipo".

A embaixadora israelita na Suíça contatou o hotel Paradies e também o governo suíço, do qual obteve uma garantia de que "a Suíça condena o racismo, o antisemitismo e a descrimiação de qualquer forma".

No hotel, a gerente assegurou que tinha retirado o cartaz, tal como um outro colocado na cozinha, solicitando aos hóspedes que regrassem o seu acesso ao frigorífico, no qual judeus ultra-ortodoxos costumam guardar comida kosher, confecionada segundo os ditames hebraicos.

Má escolha de palavras

A gerente do Paradies, Ruth Thomann, que assinava os cartazes, justificou-se em declarações ao jornal suíço 20Minutes afirmando não ser antisemita e que simplesmente a sua "escolha de palavras tinha sido um engano".

Escrevi algo ingénuo no cartaz", afirmou a gerente, explicando ao jornal Blick, que tinha achado ser a melhor maneira de se dirigir a todos os hóspedes com uma só mensagem.

Ruth Thomann justificava ainda ter escrito os cartazes devido a queixas de outros hóspedes, segundo os quais, havia judeus que não tomavam duche antes de entrar na piscina.