O governo sueco vai enviar na próxima semana 4,8 milhões de brochuras para as residências dos seus cidadãos, dando-lhes instruções e conselhos de como agir em caso de o país ser alvo de um ataque.

A brochura de 20 páginas, intitulada “Se a crise ou a guerra chegarem" dá conselhos aos cidadãos sobre como obter água potável, identificar propaganda ou encontrar um abrigo antiaéreo.

Num país conhecido pela sua não beligerância, oficialmente neutro durante a II Guerra Mundial e cujo último conflito ocorreu há mais de 200 anos com a Noruega, em 1814, a brochura é a primeira campanha pública do género desde os tempos da Guerra Fria.

Se a Suécia for atacada por outro país, nunca desistiremos", apela ainda o livreto, alertando desde logo que "toda a informação no sentido para cessar a resistência, é falsa".

A brochura, além dos números telefónicos de emergência e de uma explicação da capacidade militar da Suécia, alerta também para o perigo do fornecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis poder ficar aquém durante uma situação de crise.

Além disso, os suecos podem também encontrar no panfleto uma lista de bens essenciais, aconselhando-se que o leite de aveia, latas de almôndegas de salmão com molho à bolonhesa, tortilhas e sardinhas são exemplos de alimentos que se devem armazenar. 

Ataque... da Rússia?

A responsabilidade da brochura é da Proteção Civil sueca e a publicação não refere explicitamente qual o principal receio de onde poderá vir uma ameaça militar externa.

Mesmo sendo a Suécia mais segura do que a maioria dos países, existem ameaças", foram as palavras do responsável pelo organismo estatal, Dan Eliasson, na apresentação da publicação, citado pela agência noticiosa Reuters.

Sucede, contudo, que a Suécia e outros países escandinavos têm estado de sobreaviso desde a anexação por forças apoiadas pela Rússia da península da Crimeia, pertença da Ucrânia, em março de 2014.

Além disso, a Suécia, Dinamarca e Noruega têm também acusado a Rússia de repetidas violações dos seus espaços aéreos, algo que Moscovo, ou não comentou, ou casualmente desmentiu.

Desde então, a ideia de uma ameaça russa levou a Suécia a tomar uma série de medidas de segurança, incluindo a reintrodução do serviço militar obrigatório e o destacamento de tropas para a ilha de Gotland, no mar Báltico.

O governo sueco decidiu também aumentar os seus gastos militares a partir de 2016, após vários anos de desinvestimento na defesa.