Tudo está mal e deverá ainda piorar. No mês de julho, intensificaram-se os combates entre as fações que lutam pelo poder no Sudão do Sul, o mais novo país do planeta, e aumentaram as dificuldades para as organizações humanitárias no terreno. Com dificuldades de circulação e cada vez mais barreiras de controlo, a pouca ajuda possível de prestar às populações simplesmente não lhes chega.

Já estamos numa crise de insegurança alimentar extremamente preocupante”, afirmou o coordenador do gabinete de Emergência das Nações Unidas.

Há muitas circunstâncias onde, terrivelmente, a situação só piora”, afiançou Stephen O'Brien, citado pelo jornal inglês, The Telegraph.

Fome e violações continuam

Stephen O'Brien esteve na passada semana no Sudão do Sul, o país criado após o referendo de 2011, que continua a viver uma luta sem quartel entre os partidários presidente Salva Kiir e do vice-presidente, Riek Machar.

Consequência dos combates que eclodiram em grande escala no mês de julho, o responsável das Nações Unidas diz ter encontrado mulheres, mães, que, com tanta fome e má nutrição, já não têm leite para amamentar os filhos.

É o nível puro do desespero”, contou O’Brien.

Mais de 160 sudaneses sobrevivem em seis campos de refugiados nas Nações Unidas, muitos dos quais em localidades remotas, de difícil acesso.

Além de centenas de mortos devido aos combates, as equipas da ONU confirmam também novas situações de execução de civis por causa de rivalidades étnicas e o aumento de casos de violação.

Registámos pelo menos 217 casos de violência sexual em Juba, entre 8 e 25 de julho”, garantiu o Alto-Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

As Nações Unidas adiantam ainda que as forças governamentais saquearam um armazém onde estavam guardados alimentos que podiam matar a fome a 220 pessoas em situação de penúria extrema.

Um país rico dos mais pobres do mundo

Rico em jazidas de petróleo, o Sudão do Sul tornou-se independente em 2011. Desde então mantém uma das mais altas taxas de mortalidade infantil, sistemas de saúde e de educação mais que precários, uma taxa de analfabetismo de 84% e uma guerra fratricida desde 2013.

Desde a capital, a cidade de Juba, a luta pelo poder entre as fações do presidente e vice-presidente, com divisões tribais à mistura, já provocou que cerca de 4,8 milhões de pessoas enfrentem graves problemas alimentares, das quais, as equipas das Nações Unidas, só conseguiram acudir a não mais de 2,8 milhões.

Uma vez mais, a comunidade internacional procura instalar tréguas entre as fações que semeiam a guerra e violência no Sudão do Sul. A situação terá acalmado no presente mês de agosto, mas os observadores das Nações Unidas admitem que o país é ainda um barril de pólvora.

A tensão permanece muito alta e as violações continuam a ocorrer em Juba e noutras regiões do país”, sublinhou Zeid Ra'ad Al Hussein.