Mesmo com as mãos no arame-farpado e com a confusão que decorria à sua volta, a criança da fotografia abaixo não chorou. Mesmo em tão tenra idade, era como se percebesse que havia algo mais importante a decorrer, superior à dor das suas mãos. A qualquer momento, os guardas turcos que guardam a fronteira com a Síria poderiam deixar passar todas as pessoas do seu lado da rede.


                     
                                   "Um pai pede ajuda" (Foto: Reuters/ Umit Bektas)

 
Esta perceção em relação à menina foi descrita pelo autor da fotografia, Umit Bektas, fotógrafo da agência Reuters, que, na segunda-feira, bem ouviu os pedidos de ajuda daqueles refugiados sírios que, tal como outros milhares, todos os dias tentam abandonar o país. Seja pela ameaça e ocupação do Estado Islâmico, pelo medo às forças do governo de Bashar Al-Assad ou por conta das outras milícias que lutam no país, estes refugiados só querem atravessar.
 

 “Levem-nos, estamos a morrer”, ouviu.


O homem que surge na foto a segurar a criança não disse estas palavras exatas, conta o fotógrafo, mas bem podia ter dito. Desesperado, como todos os que o rodeavam, tinha partido da cidade de Tel Abiad dada a iminência dos combates entre o Estado Islâmico e as tropas curdas.

Pediu ajuda aos soldados, oficiais, até aos jornalistas.

Alguns minutos depois o seu pedido foi atendido: as forças turcas deixaram finalmente entrar os refugiados no país. Somente depois de um dia de espera na terra de ninguém, debaixo de um calor de 30 graus e sem nada para beber, mas finalmente atravessaram.

Durante o tempo de espera, alguns soldados e voluntários de organizações não-governamentais foram atirando garrafas de água, mas não eram suficientes para tantas pessoas. A própria fronteira pode vir a ser pequena para tanta gente. Porque na foto só está uma criança, mas, e como Bektas lamenta no final do seu texto, esta é apenas uma das muitas nesta situação.