São mais de 60 contra um e assim será durante muito, muito, muito tempo.

O muito, muitas vezes repetido não é gralha, é propositado para melhor ilustrar o diagnóstico de Laurent Fabius, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, ao curso da guerra contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

"Reafirmamos a nossa unidade e determinação em combater o Estado Islâmico, mas reconhecemos que será um combate de longa duração."

Fabius disse-o tendo na frente um batalhão de fotógrafos e estando ladeado, à direita, pelo sub-Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e à esquerda, por Haider al-Abadi, primeiro-ministro do Iraque, que minutos antes deixara o aviso:

"Há muitas palavras, mas poucas ações."

Agora, sendo o local e a ocasião os mesmos que os do seu anfitrião, al-Abadi aproveitou os flashes e as curiosidades jornalísticas, na esmagadora maioria ocidentais, para dramatizar necessidades e carências do Iraque, insistindo nos problemas do país para conseguir armas e munições para lutar contra os islamistas. 

As declarações fazem parte das conclusões da cimeira que esta terça-feira juntou em Paris os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países que formam a coligação internacional que combate os militantes do auto-proclamado califado islâmico do Iraque e da Síria.

Apesar da enorme ambição do auto-denominado califa Abu Bakr al-Baghdadi é no Iraque e na Síria que a expansão do Estado Islâmico tem sido efectiva nos últimos meses. Prova-o a relevante vitória conquistada há duas semanas quando no dia 17 de maio tomou o controlo de Ramadi, cidade, que além de ser a capital da província de Anbar, está situada apenas 90 quilómetros a oeste de Bagdad. 

Avanço conseguido depois de um ano de quase 4 mil bombardeamentos aéreos lançados pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos da América, e que integra mais de 60 países, com destaque para as nações árabes como Arábia Saudita, Qatar, Bahrein e Jordânia. 

Uma força que deverá começar, também, a agir dentro de portas. É para isso que parece alertar Haider al-Abadi quando confessa preocupações com o crescente número de combatentes estrangeiros nas fileiras do Estado Islâmico e que, segundo contas de al-Abadi, são já 60% da força jihadista. 

"Devemos ter uma explicação para o facto de tantos terroristas saírem da Arábia Saudita, do Egito, da Síria, da Turquia e de países europeus."  Avisou o primeiro-ministro do Iraque.  

Mas se Haider al-Abadi faz avisos também leva recados como o recentemente dado por Ashton Carter, secretário de Defesa dos EUA. Sete dias passados sobre a queda de Ramadi à mãos do Estado islâmico, o responsável pelo Pentágono ​não poupava nas críticas às forças iraquianas.

"Não mostraram vontade de combater."

Se foi assim e assim continuar a ser, então, sem dúvida, como alerta Laurent Fabius, a guerra ao Estado Islâmico será de longa duração.