O parlamento dinamarquês vota esta quarta-feira uma lei que obriga os refugiados que estão em processo de pedido de asilo a entregar os bens mais valiosos em troca de habitação. Na terça-feira, o Governo dinamarquês confirmou que tem o apoio da maior parte do Parlamento para aprovar a lei.

Se a lei avançar, os refugiados que cheguem com mais de 1350 euros vão ter de deixar o dinheiro para pagar a estadia. Em relação aos bens materiais, o Governo dinamarquês prevê que seja feita uma emenda à lei, para que os bens sentimentais como alianças de casamento e relógios possam ser mantidos com os refugiados.

“O Governo, os sociais-democratas, o partido dos dinamarqueses, a Aliança Liberal e o partido conservador concordaram em corrigir a lei, tendo em conta os valores”, informa fonte do Governo dinamarquês, ao The Guardian.


Todos os bens que não se encaixem no fator “valor sentimental” e que tenham um bom valor comercial serão recolhidos pelas autoridades dinamarquesas.

O Governo dinamarquês já foi acusado de estar fazer com os refugiados o que os nazis fizeram aos judeus, durante o Holocausto. Tendo a Alemanha recolhido bastantes pertences e enchido os cofre de ouro durante essa época. Mas o Governo dinamarquês já esclareceu dizendo que esta é a mesma política aplicada na Dinamarca aos beneficiários de rendimentos sociais.

De acordo com o The Guardian, advogados locais de defesa aos refugiados indicam que existem, nesta lei, aspetos piores. Se a lei for aprovada, como se prevê, os refugiados vão ter de provar que são indivíduos em perigo na Síria, caso contrário o asilo político não lhes será concedido além de um ano. Para os pais que chegam separados dos filhos, a reunificação só será possível depois de três anos de permanência na Dinamarca.

A 6 de janeiro, o gabinete da Nações Unidas condenou a aprovação desta lei que, garante, será só mais uma forma de espalhar o medo, a xenofobia e outras restrições em países que possam vir ser asilo para mais refugiados, relata a agência Reuters.