O governo sírio negou o pedido da ONU que pretendia prestar ajuda humanitária a mais de 900 mil pessoas. As Nações Unidas queriam entregar comida e medicamentos em várias cidades sírias, incluindo Aleppo, centro maior da violência no país nas últimas semanas e onde, só esta quarta-feira, morreram dezenas num combate na zona oriental, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

“Metade dos acessos pedidos no plano de Maio foram negados”, anunciou o representante da ONU para a mediação das conversas de paz na Síria, Jan Egeland. As áreas que não receberam sinal verde para avançar com a ajuda situam-se em zonas controladas pelos rebeldes.

“Temos centenas de voluntários impedidos de entrar em Aleppo” e “é uma desgraça ver que a população de Aleppo está ‘a sangrar’ e cada vez têm menos hipóteses de fugir”, disse, esta quarta-feira, em declarações à Reuters.

Entre as 905 mil pessoas que a ONU pretende ajudar, quatro mil estão na cidade de Daraya. Lá há meio milhar de crianças em “risco de morrer à fome”, alerta Jan Egeland. O governo de Bashar al Assad só deixa entrar leite de bebé e material escolar. Egeland considera, no entanto, que há uma conclusão a tirar desta concessão. O regime admite que há crianças naquela cidade e não só terroristas, como afirmou anteriormente.

Com os progressos alcançados nas negociações, em fevereiro, a ajuda humanitária entregue até abril já era superior aquela que foi disponibilizada em 2015, mas, o degradar das negociações nas últimas semanas, constitui um retrocesso.