O mediador da Organização das Nações Unidas (ONU) nas negociações de paz para a Síria, Staffan di Mistura, afirmou, nesta segunda-feira, que as conversações começaram formalmente, após uma primeira reunião com a delegação da oposição.

O chefe desta, Mohamed Allouche, chegado esta noite a Genebra, é membro da comissão política do grupo armado Jaich al-Islam (Exército do Islão), um movimento de inspiração salafista apoiado pela Arábia Saudita.

À saída da reunião com o mediador da ONU, o porta-voz da oposição, Salem Al-Meslett, acusou a Federação Russa de “criar um novo Hitler” ao continuar a apoiar o Presidente sírio, Bashar al-Assad.

A oposição síria pediu hoje o apoio da comunidade internacional para o fim dos bombardeamentos contra áreas civis, assegurando que isso diminuirá de forma imediata e significativa o fluxo de refugiados para a Europa. 

“Queremos aliviar a pressão que os países europeus sofrem com o enorme número de refugiados. Queremos que a nossa gente regresse à Síria, mas para isso têm de nos ajudar a parar os bombardeamentos aéreos do regime e da Rússia”, disse o porta-voz da aliança opositora, em entrevista à agência EFE. 

“Se isso acontecer, acredite, no dia seguinte vamos ver o número de refugiados reduzir para metade, de imediato, e as pessoas vão começar a voltar”, afirmou. 

O fim dos bombardeamentos é uma das três grandes exigências humanitárias da oposição para as negociações de paz mediadas pela ONU, juntamente com a libertação dos detidos em prisões do regime e a entrada de ajuda nas zonas cercadas pelo exército. 

"Se querem bombardear posições terroristas ou do Exército Sírio Livre [grupo armado da oposição], que o façam longe das zonas civis. Mas atualmente, os objetivos desses bombardeamentos são áreas civis onde não há terroristas", indicou.