O Japão vai abater os mísseis norte-coreanos “se for necessário”, declarou esta segunda-feira o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente norte-americano, Donald Trump.

Vamos abatê-los se necessário e, nesses casos, o Japão e os Estados Unidos vão cooperar de forma estreita”, declarou Abe.

 Nos últimos meses dois mísseis norte-coreanos sobrevoaram a ilha japonesa de Hokkaido.

O líder japonês anunciou também que vai congelar os bens de 35 organizações e pessoas norte-coreanas, impondo uma sanção suplementar a Pyongyang.

"Vamos decidir amanhã o congelamento de bens de 35 organizações e personalidades norte-coreanas", uma medida adicional para tentar resolver o problema dos japoneses sequestrados pelos serviços secretos norte-coreanos e face ao programa nuclear e de mísseis de Pyongyang, declarou.

Abe disse ainda que apoia a política de Trump de manter todas as opções em cima da mesa, face às provocações da Coreia do Norte.

"Apoiamos a política de Trump segundo a qual todas as opções estão em cima da mesa" para conter o rápido desenvolvimento do programa nuclear e de mísseis de Pyongyang, disse.

"Paciência estratégica acabou"

Também o presidente norte-americano, Donald Trump, sublinhou esta segunda-feira em Tóquio que a “era da paciência estratégica acabou” no que toca à Coreia do Norte, após “20 anos com uma postura frágil” perante Pyongyang.

O regime norte-coreano “continua com os seus testes nucleares ilegais e com os seus intoleráveis lançamentos de mísseis sobre o território japonês, que representam uma grave ameaça à paz e estabilidade regional e global. Não permitiremos isso”, afirmou Trump numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

“Os norte-coreanos são grandes pessoas sob um regime repressivo. Espero que tudo se resolva e que melhore, tanto para eles como para todo o mundo. Espero que [Kim Jong-un] acabe por pagar” pelos seus atos, acrescentou.

Coreia do Sul anuncia sanções unilaterais 

 A Coreia do Sul anunciou esta segunda-feira uma nova vaga de sanções unilaterais contra Pyongyang, na véspera da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump, que iniciou uma viagem asiática.

Dezoito banqueiros norte-coreanos sedeados na China, na Rússia e na Líbia, suspeitos de terem participado no programa de armamento norte-coreano, passaram a integrar uma lista negra, segundo um comunicado publicado no portal do Governo sul-coreano.

Estes indivíduos trabalharam no estrangeiro, representaram os bancos norte-coreanos e estiveram envolvidos no financiamento necessário ao desenvolvimento de armas de destruição maciça”, declarou à agência Yonhap um responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Estas 18 pessoas já foram alvo de sanções norte-americanas. O anúncio surgiu na véspera da chegada do Presidente dos Estados Unidos à Coreia do Sul.

As novas sanções significam que os sul-coreanos, bem como as instituições do país, não podem ter relações comerciais com as pessoas inscritas nesta lista.

As sanções são maioritariamente simbólicas, já que há poucos laços económicos entre as duas Coreias.

Pyongyang foi alvo de um oitavo pacote de sanções da ONU após o seu sexto teste nuclear, em setembro. A Coreia do Norte também testou vários mísseis aparentemente capazes de atingir parte do território norte-americano.