O FBI identificou uma segunda pessoa ligada aos serviços de inteligência norte-americanos que terá divulgado informações confidenciais, neste caso ao «The Intercept», tal como fez Edward Snowden. A notícia é avançada pelo «Yahhoo News», que adianta que os agentes federais já fizeram buscas na casa do suspeito, no norte do estado norte-americano da Virgina.


Em causa estará um artigo de Jeremy Scahill e Ryan Devereauz, do «The Intercept», publicado em agosto, que refere que cerca de metade das 680 mil pessoas que os Estados Unidos têm numa lista de suspeitos terroristas «não estão conectados a nenhum grupo terrorista». Uma informação que terá sido revelada, segundo os autores, por uma «fonte dos serviços de inteligência norte-americanos».


Tal como os fundadores do «The Intercept», Glenn Greenwald e Laura Poitras,  Scahill  tem feito vários artigos baseados nos documentos confidenciais divulgados por Edward Snowden. Mas, de acordo com «Citizen Four», o mais recente documentário sobre o antigo espião da NSA, de Laura Poitras, Snowden não foi a única fonte de Scahill.
 
John Cook,  diretor do «The Intercept», reagiu à notícia, destacando apenas a importância do trabalho de Scahill e Devereaux para os ativistas na luta pelos direitos dos cidadãos.
 
«O artigo de Scahill e Devereaux sobre a lista de suspeitos terroristas trouxe informação crucial sobre a ineficiência deste programa e tem sido citado pelos vários grupos de defesa das liberdades e dos direitos civis, que têm procurado uma intervenção nos tribunais federais», declarou ao  «The Huffiington Post».
 
Já do lado do Governo, Marc Raimondi, porta-voz da Justiça norte-americana, recusou tecer qualquer comentário sobre o caso. 
 
A administração de Barack Obama é já a que mais tem investigado atuais e antigos membros do Governo por alegadas suspeitas de divulgação de dados confidenciais. Uma prática que tem sido muito criticado pelos jornalistas de investigação norte-americanos. 
 
James Risen, do «New York Times», que ainda enfrenta pressões para divulgar uma fonte em tribunal, apelidou Obama de «o maior inimigo da liberdade de imprensa que já tivemos, em gerações».
 
No artigo do «Yahoo News», Isikoff diz que os serviços de inteligência dos Estados Unidos consideram que o suspeito não deverá ser acusado criminalmente, devido às críticas de que o Governo foi alvo em casos deste género no passado. No entanto, outra fonte de Isikoff garantiu-lhe que «os investigadores vão continuar as buscas, mas que ainda não estão preparados, para já, para apresentar acusações».