A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) confirmou, nesta quinta-feira, que o gás utilizado para envenenar o ex-espião Sergei Skripal foi novichok, como tinham concluído as autoridades britânicas.

Os resultados das análises realizadas por laboratórios designados pela OPAQ a amostras biológicas e ambientais recolhidas pela equipa da OPAQ confirmam as conclusões do Reino Unido relativamente à identidade do químico que foi usado em Salisbury e afetou gravemente três pessoas”, afirma a organização internacional de controlo do armamento químico em comunicado.

O texto da organização internacional de controlo do armamento químico não faz referência à origem do químico, como tinha acontecido com o laboratório militar britânico de Porton Down, mas frisa a “grande pureza” da substância analisada.

Sergei Skripal e a filha, Yulia, foram encontrados inconscientes a 4 de março num banco de um centro comercial de Salisbury, no sul de Inglaterra.

Um dos polícias que acorreu ao local chegou a ser hospitalizado com sintomas de intoxicação pelo agente neurotóxico, mas teve alta pouco depois.

Os Skripal estiveram em estado crítico durante mais de um mês, até que, na semana passada, Yulia recuperou, tendo sido anunciado na terça-feira que teve alta, e, já esta semana, Sergei Skripal saiu do estado crítico, mantendo-se, contudo, hospitalizado.

Governo britânico diz que só a Rússia tem “meios, motivo e histórico”

O chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, disse hoje que só a Rússia tem “os meios, o motivo e o histórico” para lançar o ataque com gás neurotóxico contra o ex-espião Sergei Skripal e a filha.

Não pode haver dúvidas sobre o que foi usado e não há nenhuma explicação alternativa sobre quem foi responsável. Apenas a Rússia tem os meios, o motivo e o histórico”, disse Johnson em comunicado, após a confirmação da OPAQ.

O ministro britânico anuncia, ainda, que convocou uma reunião da OPAQ para 18 de abril para avaliar o seguimento do processo.

O Reino Unido pediu também uma reunião do Conselho de Segurança para discutir as conclusões da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ). A reunião deve realizar-se na próxima semana, precisou a missão britânica nas Nações Unidas.

O Reino Unido responsabiliza a Rússia pelo envenenamento dos Skripal, o que é negado por Moscovo.

Rússia acusa Reino Unido "reter à força" a filha do ex-espião

A Rússia acusou o Reino Unido de estar "a reter à força" num local secreto Yulia Sripal, a filha do ex-espião Serguei Skripal, ambos envenenados no início de março com um gás neurotóxico em Inglaterra.

"Os últimos acontecimentos reforçam os nossos receios de que esta é uma questão de isolamento de uma cidadã russa. Temos todas as razões para crer que pode tratar-se de um caso de retenção à força de cidadãos russos, que eventualmente são retidos à força para uma encenação", declarou a porta-voz da diplomacia russa Maria Zakharova, em conferência de imprensa.

Por outro lado, Zakharova salientou que a Rússia não vai acreditar nas conclusões da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) sem que tenha acesso às amostras de sangue que serviram de base às análises da organização.

"A Rússia não acredita nas conclusões [do caso Skripal] na base da palavra, até que os seus especialistas tenham acesso às amostras das análises mencionadas no relatório da OPAQ", disse a porta-voz.

Moscovo quer, igualmente, ter acesso a "todas as informações na posse de Londres a propósito deste incidente", acrescentou Zakharova.

"Não se trata de uma questão de confiança, mas sim de uma questão de trabalho a partir de material concreto", sublinhou a responsável do MNE russo, acrescentando que "a Rússia está pronta e aberta a todos os tipos de trabalho em conjunto".