Intensos disparos de artilharia pesada atingiram esta quinta-feira vários edifícios no centro de Donetsk, entre os quais uma universidade e a sede do Ministério Público, ocupadas pelos separatistas pró-russos, noticiou a agência France Presse.

Uma granada de morteiro caiu sobre a universidade, ferindo um professor. Outra atingiu o telhado da sede do Ministério Público, ocupada pelos representantes da autoproclamada República Popular de Donetsk, segundo um jornalista da agência no local.

Duas granadas de morteiro caíram, sem explodir, em frente a um centro comercial.

O bairro foi cercado por separatistas armados, segundo os quais duas outras granadas de morteiro atingiram a sede da polícia, igualmente ocupada pelos separatistas.

Donetsk é, com Lugansk, um dos dois últimos bastiões no leste da Ucrânia dos separatistas pró-russos, forçados a recuar pela forte ofensiva do exército ucraniano lançada há um mês.

Nos últimos 15 dias, segundo a ONU, o número de vítimas no leste ucraniano duplicou, atingindo os 2.086 mortos.

Putin não quer Rússia «isolada»

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a Rússia não deve «isolar-se do resto do mundo», num discurso na Crimeia, cuja anexação em março degradou fortemente as relações de Moscovo com o Ocidente.

«Devemos desenvolver o nosso país calmamente, dignamente e de maneira eficaz, sem nos isolarmos do resto do mundo, sem romper os laços com os nossos aliados, mas sem contudo permitir que nos tratem com desdém», disse, citado pelas agências russas.

Putin, que falava para deputados da Duma (câmara baixa do parlamento russo), afirmou também que a Rússia está disposta a fazer tudo o que for possível para resolver o conflito na Ucrânia.

«Seguimos com atenção a situação, abordamos a questão com os dirigentes da Ucrânia, com a comunidade internacional, com as principais organizações internacionais. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que este conflito termine rapidamente, para que deixe de ser derramado sangue na Ucrânia», disse.

O presidente russo lamentou a situação humanitária no leste da Ucrânia, qualificando a situação de «caos sangrento» e «conflito fratricida».