Um suposto "Estado Islâmico de França" terá feito "escancarar a pestana" de eleitores de Estados norte-americanos cujo sentido de voto nas presidenciais - que acabaram por eleger Donald Trump - seria e é sempre incerto: os chamados "swing states". A campanha da organização ultra-conservadora Save America Now (Salvemos a América, já!), que se opõe à imigração e ao acolhimento de refugiados, entrou, passou e foi direcionada para os utilizadores dos canais Facebook e Google.

De acordo com o canal de comunicação Bloomberg, a campanha levada a cabo no final do ano passado, no momento decisivo das presidenciais nos Estados Unidos, alternava entre anúncios contra a candidata democrata Hillary Clinton e outros explorando um hipotético e fundamentalista domínio islâmico de cidades e países do mundo ocidental europeu. Paris era um dos melhores exemplos.

Sob a Sharia, poderá aproveitar tudo o que o Estado Islâmico de França tem para lhe oferecer, desde que siga as suas regras", dizia o narrador de um dos vídeos da campanha de propaganda, feito ao jeito de promoção turística, no qual se via a Torre Eiffel com o crescente no topo, crianças na escola a serem treinadas para lutar pela Jiad e até o quadro da Mona Lisa, no Museu do Louvre, de burka.

Campanha e explicações

O canal de comunicação Bloomberg salienta que a campanha da Save America Now, com os tais vídeos da ameaça islâmica, foi especialmente direcionada para utilizadores de redes sociais nos swing states, casos do Nevada e Carolina do Norte. Que foram importantes para a eleição de Donald Trump.

Foi concebida para criar medo nas pessoas", é o relato sob anonimato de um funcionário da Harris Media, a empresa norte-americana de publicidade que trabalha para a organização Save America Now, com verbas de milhões de dólares.

Responsáveis do Facebook, confrontados pelo Bloomberg, asseguraram só ter tido relacionamento com a agência de publicidade e não com a organização Secure America Now. Lavaram também as mãos sobre uma experiência que terá mesmo sido realizada, divulgando vários vídeos da campanha, de forma a avaliar o impacto junto dos utilizadores da rede social.

No caso do Google, segundo o Bloomberg, terá havido uma relação mais direta com os ativistas conservadores da Secure America Now, que terão estado na sede da empresa de comunicação tecnológica em Nova Iorque.

Em sua defesa, a Google assumiu ter políticas estritas para divulgar publicidade. "Quando achamos que os anúncios violam essas regras, de imediato deixamos de os exibir".

O canal Bloomberg refere que a Google terá mesmo bloqueado alguns dos vídeos da campanha, incluindo alguns do hipotético "Estado Islâmico de França".