A menos de um mês do Carnaval, a festa maior do Brasil, que atrai os brasileiros e turistas de todo o mundo, está posta em causa por causa da seca que assola o país.

Na região de Minas Gerais, como Itapecerica, São Gonçalo do Pará, Formiga, Oliveira e Arcos, as festas já foram canceladas e outros municípios ponderam seguires-lhe o exemplo. Não há água para os habitantes, quanto mais para os milhares de turistas.

 
Há ainda muitas localidades que adotam planos de contingência. O jornal «Aqui» conta que Oliveira, em Minas, adotou um «rodízio de água», de forma a racionar o consumo de água. Os níveis de água muito baixos levam a que a água não tenha pressão para as torneiras e o abastecimento tem muitas vezes de ser feito através de camiões-cisterna.

Os estados mais afetados são até ao momento São Paulo e Minas Gerais. No Sul de Minas e no Oeste paulista, choveu 60% menos, segundo os dados recolhidos pelo «Globo», mas a seca tende a afetar mais zonas do país.

Segundo apurou o «Globo», a seca na Região Sudeste não esvazia apenas os reservatórios paulistas. A Agência Nacional de Águas (ANA) revela que seis das principais bacias hidrográficas brasileiras enfrentam problemas, ameaçando moradores de nove estados e do Distrito Federal.

Ou seja, são perto de «40 milhões de pessoas afetadas, o equivalente a 20% da população brasileira. Os principais rios atingidos têm, em comum, a dependência das chuvas que caem em Minas Gerais, estado que é uma espécie de divisor das águas que correm pelo Brasil.

Em geral, chove cerca de 1.400 milímetros na Região Sudeste durante o ano hidrológico, que termina em setembro, mas, até agora, choveu metade disso.

Um dos rios mais importantes é o Paraíba do Sul, que, por si, fornece mais de 14 milhões de pessoas. Com seis reservatórios, a capacidade de um dos reservatórios, por exemplo, está a menos de meio por cento da capacidade - 0,38% - de acordo com a reportagem do jornal brasileiro, que relata que a capacidade da bacia é equivalente a um prédio de seis andares.

A ANA pondera usar o volume morto das águas, mas isso não resolve o problema. Segundo os especialistas, as previsões apontam que 2015 vai ser um ano de recessão de chuvas. Por isso, o Rio de Janeiro também deve já economizar água, o passo antes de começar a racionar o recurso natural e vital.

A mensagem já está a correr. No programa televisivo «Big Brother», cada um dos concorrentes tem um limite de litros de água que pode gastar por dia.

Falta de pressão nas torneiras dos prédios, incapacidade de gerar eletricidade, mas, não são só as cidades que são afetadas pela seca. No norte do estado do Rio de janeiro, perto da Foz do Rio Paraíba, os campos verdes tornaram-se num deserto. Campos de cultivo perdidos e milhares de cabeças de gado mortas.