Os cidadãos da União Europeia veem a Europa como sancionadora e perdem a esperança, afirmou o antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors no prefácio de um livro lançado a meses das eleições europeias.

«O que fizemos da Europa?» é o título da obra da autoria do jornalista Sébastien Maillard, correspondente em Bruxelas do jornal francês La Croix.

«A situação atual representa um risco para a democracia», considerou Delors.

«Os povos sofrem muito e começam a inquietar-se, incluindo nas economias mais sólidas. Querem ver gestos concretos da parte da Europa», apontou.

«Receio que digam que no fundo a Europa é alguém que está lá para sancionar, para multar, para obrigar. Onde é que está a esperança?», questiona o antigo presidente da Comissão Europeia (1985-1994).

«O funcionamento da Europa tem falta de pedagogia e de simplicidade», considerou Delors. «Quando os cidadãos não percebem como funciona o sistema (...) irritam-se e saem à rua», continuou.

«Uma visão do mundo, é o que falta aos nossos dirigentes. Se continuarmos assim, não vamos poder evitar o declínio e este declínio não será agradável para as gerações futuras», advertiu Delors, 88 anos.

O antigo presidente da Comissão Europeia afirmou, no entanto, estar convencido de que a Europa pode sair da crise, que considera a mais grave desde a segunda guerra mundial.

«O que precisamos é de dois ou três dirigentes que liderem e façam renascer o bom velho espírito» dos fundadores, defendeu Delors.

A mensagem é divulgada a poucos dias das eleições legislativas na Alemanha e a meses das europeias de maio de 2014.