Um dos quatro suspeitos dos atentados que fizeram 15 mortos na Catalunha foi libertado, nesta terça-feira, depois de presente a tribunal para primeiro interrogatório, que durou cerca de cinco horas.

O ministério público pedia que os quatro homens fossem julgados por “pertença a organização terrorista, homicídios terroristas e posse de explosivos”, precisou fonte judicial, citada pela agência noticiosa France Press (AFP), mas, de acordo com a Associated Press (AP), o juiz Fernando Andreu da Audiência Nacional determinou, já esta noite, a libertação de Mohammed Aalla, custódia policial por mais 72 horas para Sahl el Karib e prisão preventiva sem caução para Mohammed Houli Chemlal e Driss Oukabir.

De acordo com o tribunal, não há indícios suficientemente sólidos para deter Mohammed Aalla, de 27 anos, que fica em liberdade condicional, com apresentações semanais. O registo do Audi A3 em que viajavam os terroristas de Cambrils estava em nome de Aalla, mas o suspeito negou que lhe pertencesse, sendo conduzido pelo seu irmão.

Já Sahl el Karib, de 34 anos, vai permanecer sob custódia até à conclusão das diligências que ainda decorrem.

Os terroristas da Catalunha preparavam um ataque de maior dimensão em Barcelona, segundo o primeiro suspeito do duplo atentado a ser ouvido, confirmando, assim, as declarações prestadas à polícia catalã aquando da sua detenção.

Mohammed Houli Chemlal, que ficou ferido na explosão da casa de Alcanar, em Tarragona, que serviria de base à célula terrorista a que pertencia, declarou perante o juiz que o objetivo era cometer mais atentados e de maior alcance, particularmente em monumentos, adiantaram fontes judiciais à agência de notícias Efe e à rádio Cadena Ser.

A televisão pública TVE e o jornal El Mundo acrescentam que um dos alvos era a famosa igreja da Sagrada Família, um dos vários monumentos de Barcelona com assinatura do arquiteto catalão Gaudí.

Chemlal, de 21 anos e natural de Melilla, um dos enclaves espanhóis em solo marroquino, foi o primeiro dos quatro terroristas detidos pelos ataques a comparecer hoje perante o juiz da Audiência Nacional, um tribunal superior que julga delitos de maior gravidade, como terrorismo e crime organizado, entre outros.

À polícia catalã já tinha dado informações chave para a investigação e que permitiram desmantelar a célula terrorista, uma vez que foi o único sobrevivente da explosão em Alcanar e, nesse sentido, era conhecedor dos planos dos seus companheiros.

A verdade da mentira

O segundo suspeito a ser questionado por Fernando Andreu foi Driss Oukabir, que confirmou que foi ele quem alugou as viaturas utilizadas para os atentados.

Ao juiz disse que pensava que estava a alugar as carrinhas para fazer mudanças, apesar de no momento da detenção ter assegurado à polícia catalã que tinha sido o seu irmão, Moussa Oukabir, um dos cinco terroristas abatidos em Cambrils, a alugar os veículos, depois de lhe ter roubado a documentação, por ter apenas 17 anos. Disse que mentiu à polícia por medo, mas que perante o juiz estava a contar a verdade.

Mohammed Houli Chemlal e Driss Oukabir afirmaram, ainda, que o imã de Ripoll Abdelbaky Es Satty, que morreu na explosão de Alcanar, era o líder da célula terrorista e mentor dos atentados. De acordo com estes dois suspeitos, o responsável religioso planeava, também, imolar-se num ataque suicida.

Foram também ouvidos Mohammed Allah e Sahlel Karib, os restantes elementos vivos da célula terrorista. Recorde-se que cinco foram mortos em Cambrils, o condutor da carrinha que abalroou a multidão nas Ramblas, Younes Abouyaaqoub, foi morto na segunda-feira, nos arredores de Barcelona, e os últimos dois morreram na explosão de Alcanar.