O período de "lua de mel" entre Vladimir Putin e Donald Trump já lá vai e agora é o próprio presidente russo que o reconhece. Putin admitiu esta quarta-feira que as relações entre os Estados Unidos e a Rússia se deterioram com a nova administração norte-americana. Sobre o ataque químico que ocorreu na Síria, o líder russo disse que o que aconteceu pode ter sido uma encenação.

Depois de terem trocado vários elogios durante a campanha presidencial norte-americana, ao ponto de se terem levantado suspeitas de que hackers russos teriam interferido nas eleições a favor de Trump, a “amizade” entre Putin e Trump terá chegado ao fim.

A guerra na Síria e o apoio de Moscovo ao regime de Bashar al-Assad estão na origem de uma escalada de tensões entre os dois países a que muitos já se referem como a nova "Guerra Fria".

É que depois do ataque químico que matou mais de 80 pessoas na província de Idlib, na Síria, os norte-americanos responsabilizaram o regime de Damasco e acusaram os russos de falharem nos seus compromissos internacionais ao não garantirem a destruição das armas químicas sírias.

Esta quarta-feira, Putin veio responder, ele próprio, a estas acusações. O presidente russo assegurou que o regime de Assad está empenhado na destruição das armas químicas e que tem duas versões para explicar o que aconteceu em Idlib.

A primeira versão é, segundo o presidente russo, que um ataque do regime atingiu um depósito de armas químicas dos rebeldes. A segunda hipótese é a de que o ataque foi uma encenação. 

As palavras do presidente russo, citadas pela agência IFAX, surgem numa altura em que o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, está de visita a Moscovo. De resto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, adiantou que um encontro entre os dois poderá acontecer durante o dia de hoje.