O drama das migrações continua a atormentar o mundo. No mar Mediterrâneo e no golfo de Bengala são milhares as pessoas que recorrem a todos os meios para fazerem a travessia. Fogem da guerra e da fome. Acreditam que no final da viagem vão encontrar paz e prosperidade, mas muitos acabam expulsos, como aconteceu hoje em paris.

Portugal não está longe desta realidade, embora não tenha de lidar com ela diretamente. Nos próximos dois anos poderá receber 2400 migrantes, segundo proposta da Comissão Europeia.

Um drama que não vai terminar tão cedo. Só no último fim-de-semana foram salvas cinco mil pessoas perto da costa italiana. Ao esforço das autoridades locais juntaram-se meios britânicos, alemães, dinamarqueses e belgas. Numa das operações foram encontrados 17 cadáveres dentro da frágil embarcação onde viajavam centenas de pessoas.

A Itália chegaram este ano mais de 43 mil migrantes. A Grécia recebeu mais de 30 mil. Lampedusa e Sicília não têm descanso. Recebem sobretudo eritreus, somalis e nigerianos. Os sírios viajam em barcos de borracha desde a Turquia até à ilha de Kos, na Grécia.

Os turistas britânicos queixam-se de terem as férias estragadas. O Reino Unido é, aliás, um dos países europeus que rejeitou entrar na cadeia de solidariedade e não vai receber refugiados, à semelhança da Irlanda e da Dinamarca.

O incómodo europeu com os migrantes é sentido também em França, onde duas operações policiais desalojaram 580 migrantes africanos acampados em Paris e no porto de Calais

O drama dos rohingya

A milhares de quilómetros de distância, no golfo de Bengala, os barcos também são a solução usada por milhares de pessoas oriundas sobretudo do Bangladesh e da Birmânia. O objetivo é chegar à Malásia e à Indonésia.

A perseguição religiosa é o motivo que leva os rohingya, uma minoria muçulmana, a procurar refúgio nos países vizinhos. São muitos os que morrem no mar. E são também muitos os que morrem já depois de pisarem terra firme, como demonstra a descoberta macabra de valas comuns na fronteira entre a Malásia e a Tailândia.

O ator americano Matt Dillon visitou e ficou chocado com o que viu:

“Ninguém deveria viver assim, as pessoas estão a sofrer muito. São estranguladas lentamente. Não têm esperança no futuro e nenhum sítio para onde ir. Afeta-me mais do que pensava”.


São migrantes. Sem terra. Rejeitados na sua casa e por onde passam. Refugiados num mundo sem esperança, fustigado pela crise.