A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as autoridades da Indonésia de terem executado o brasileiro Rodrigo Gularte, de 42 anos, sofrendo este de esquizofrenia e bipolaridade.

O subdiretor da HRW para a Ásia, Phelim Kine, criticou o Procurador-Geral Indonésio, HM Prasetyo, por sancionar a ordem de execução de oito condenados, sabendo que um deles sofria de problemas mentais.

Segundo a legislação indonésia, os prisioneiros com patologias mentais não podem se executados.

“Rodrigo Gularte não sabia que ia morrer até aos últimos minutos antes de enfrentar o pelotão de fuzilamento, disse quinta-feira o sacerdote católito que o acompanhou, recordou Phelim Kine em comunicado.


O mesmo responsável acrescentou que fontes diplomáticas brasileiras recordaram que Rodrigo Gularte padecia de uma “situação psiquiátrica muito grave” embora os psiquiatras indonésios não tenham detetado qualquer problema.

A HRW pediu à Indonésia uma investigação à execução de Gularte e uma moratória para outras execuções para que sejam evitados abusos.

Rodrigo Gularte foi detido em 2004 com seis quilogramas de cocaína dentro de várias pranchas de surf e sentenciado à pena capital no ano seguinte. Após 10 anos no corredor da morte, o brasileiro foi executado na madrugada de terça-feira na prisão da ilha de Nusakambangan, em Java, com dois australianos, três nigerianos, um ganês e um indonésio, todos condenados por tráfico de droga.

As autoridades da Indonésia já disseram que as execuções cumpriram a lei e que se enquadram na luta do país contra o narcotráfico, considerada uma emergência nacional.

Na Austrália, a galeria nacional de retratos decidiu retirar uma imagem do Presidente indonésio Joko Widodo depois da execução de dois australianos, também condenados à pena capital por tráfico de droga.

Andrew Chan, 31 anos, e Myuran Sukumaran, 34 anos, foram executados esta semana na Indonésia depois de condenados à morte por tráfico de droga após terem sido detidos no âmbito de uma operação contra o chamado “Bali Nine”, um grupo de tráfico de heroína.

Angus Trumble, diretor da galeria, justificou a retirada do retrato de Widodo com a pressão sentimental existente após as execuções.

“Tendo em conta as circunstâncias e a avaliação do risco de danos na obra de arte, decidi remover o retrato da exibição pública”, salientou.


As autoridades australianas tentaram demover a Indonésia da execução, mas Jacarta ignorou os apelos e cumpriu as sentenças.