Um dos maiores pedófilos do Reino Unido está, desde quarta-feira, a ser julgado por quase duas centenas de crimes sexuais, todos cometidos no sudeste asiático.

Em tribunal, um procurador revelou que os pais de Richard Huckle, de 30 anos, imploraram às autoridades para que levassem o filho, depois deste lhes ter confessado que abusou de crianças com idades entre os três e os 13 anos quando se fez passar por professor na Malásia.

Tudo começou quando Huckle foi detido, em 2014, pela Agência britânica de Crime Nacional quando aterrou no aeroporto de Gatwick, em Londres, para passar o natal com a família.

Richard Huckle

Levado para ser interrogado, o fotógrafo de profissão recusou responder a qualquer uma das perguntas que lhe foi feita e acabou por ficar a aguardar julgamento em casa dos pais.

Segundo o procurador  Brian O’Neill, ouvido esta quinta-feira, quando os pais tiveram conhecimento dos crimes do filho, imploraram à polícia para que o levasse.

No dia seguinte [à detenção], a mãe perguntou-lhe por que tinha sido interrogado e ele admitiu que tinha tido relações sexuais com crianças com idades entre os três e os 13 anos. A mãe ficou extremamente preocupada e extremamente zangada”, contou o procurador, acrescentando que “ela e o pai telefonaram para a polícia para que levassem o filho, deixando claro que não o queriam debaixo do seu teto”. 

Segundo o The Guardian, ao longo de nove anos, Huckle teve como alvo comunidades cristãs no sudeste da Ásia, para onde viajou quando tinha 19 anos. Ali terá violado mais de duas centenas de crianças.

O mesmo jornal revela que o fotógrafo publicou, na “dark web” (internet encriptada), fotos e vídeos dos seus crimes e que estava a trabalhar na publicação de um guia para pedófilos de como violarem crianças em zonas pobres sem serem apanhados.

Crianças pobres são muito mais fáceis de seduzir do que as crianças ocidentais de classe média”, escreveu o suspeito.

Mais de 20 mil imagens

Em tribunal, o procurador Brian O’Neill disse ainda ao juiz Peter Rook que o esquema de abuso de Huckle era de tal forma extenso que os investigadores não conseguiram descodificar as suas palavras-passe para ter acesso aos ficheiros encriptados no computador.

O procurador revelou que “Huckle negou o acesso aos ficheiros” e que, por isso, o juiz pode considerar que “há inúmeras imagens de abuso sexual de crianças escondidas dentro dos mesmos”.

No entanto, os investigadores conseguiram aceder a mais de 20 mil imagens de crianças, assim como ao livro “Paedopoints”, no qual Huckle apontava os crimes cometidos. No total, são 191 as crianças citadas naquele livro.

O’Neill afirmou ainda que algumas crianças foram abusadas durante anos e que Huckle usou a farsa de professor para ganhar a confiança da comunidade.

Ele tornou-se confiável ao levar doces para os aniversários das crianças, ao ajudá-los com os trabalhos de casa, ao levá-los à igreja. Com esses gestos, ganhou confiança para tirar as crianças de lares onde tinham sido colocadas.”

O julgamento começou na quarta-feira, devendo terminar na sexta-feira, e Huckle pode ser condenado a prisão perpétua. O fotógrafo britânico declarou-se culpado de 71 crimes contra 23 crianças entre os seis meses e os 12 anos, depois de exigir rever todas as provas documentais em que era acusado.