O mistério remonta a 1995. Numa feira local, um alemão decidiu comprar um conjunto de lagostins de mármore (fêmeas) para colocar num dos seus aquários. Dias mais tarde, o aquário ficou cheio desta espécie animal, o que levou o dono a partilhar com os especialistas o fenómeno invulgar. 

O que o alemão tinha comprado era aquilo que os especialistas chamam de "lagostim marmoreado" e é um crustáceo que se consegue reproduzir de forma assexuada e que, segundo os entendidos, está a formar um verdadeiro "exército de clones", como dizem os entendidos.

Estamos a ser invadidos por um exército de clones", alertou Zen Faulkes, investigador da Universidade do Texas, ao The Atlantic, acrescentando que "cada um deles pode começar uma nova população"

Depois da descoberta há mais de 30 anos, os cientistas estudaram o caso e perceberam, através de uma análise ao seu ADN, que esta espécie de "lagostim marmoreado" consegue clonar-se a si própria. Tudo acontece através de um processo denominado de partenogénese - os ovos das fêmeas não precisam de ser fertilizados - o que faz com que os lagostins consigam reproduzir-se sozinhos. 

Outro dos mistérios ainda por desvendar é o facto dos lagostins, ao contrário dos restantes animais, apresentarem três conjuntos de cromossomas. E como as características invulgares não se ficam por aqui, tudo indica que todos os crustáceos descendam de um único lagostim. Ou seja, de acordo com os especialistas, toda a espécie existente à face de Terra vêm da mesma "progenitora" pois o ADN dos lagostins marmoreados da Alemanha ou de Madagáscar é praticamente impossível de distinguir.

Apesar da sua venda ser proibida na União Europeia e em algumas zonas dos Estados Unidos, este pequeno crustáceo já foi encontrado no meio de bosques e florestas da Alemanha, Itália, Eslováquia, Suécia, Japão e Madagáscar.