A polícia moçambicana anunciou a abertura de um processo criminal, por homicídio, contra o líder da Renamo, principal partido de oposição, relacionado com o incidente de sexta-feira entre as forças de defesa e segurança e homens armados do movimento.

"O líder da Renamo [Afonso Dhlakama] também faz parte dos que vêm no processo. Estamos à espera de dados completos para saber onde está Dhlakama. Se estiver com algum medo da população, que se apresente à polícia, pois esta o vai proteger", disse o porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, Inácio Dina, citado na imprensa moçambicana, nesta quarta-feira.

Assinalando que "foi aberto um processo para o esclarecimento das reais circunstâncias do incidente" de sexta-feira, no distrito de Gondola, província de Manica, centro do país, Dina afirmou que, além do líder da Renamo, a ação criminal visa igualmente todos os integrantes da sua comitiva e as autoridades pretendem identificar o autor do disparo que matou o motorista de um carro de transporte de passageiros.

Na terça-feira, durante um discurso em Nova Iorque, Estados Unidos, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que as exigências do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, estão acima da lei, reiterando que não vai permitir que a Constituição da República seja violada.

"O que ele quer está acima da lei. Eu jurei respeitar a Constituição e, por isso, não posso permitir que a Constituição seja violada", afirmou Filipe Nyusi, citado hoje pela imprensa moçambicana, falando durante uma palestra na Universidade de Columbia.

O Presidente moçambicano, que participou na segunda-feira na 70.ª assembleia-geral da ONU, disse na altura que o seu executivo continua a valorizar o diálogo para a resolução da crise com a Renamo.