A primeira-ministra britânica convocou eleições antecipadas para ver o seu poder reforçado nas negociações sobre o Brexit, mas o tiro saiu-lhe ao lado. Sem maioria absoluta, o parlamento ficou “pendurado”, um cenário raramente visto no Reino Unido.

Na sua primeira reação aos resultados, May atribuiu aos conservadores a tarefa de procurar acordos para garantir um “período de estabilidade” aos britânicos. A líder do Partido Conservador vai pedir à rainha para formar governo, o que pode acontecer através de uma coligação formal ou informal, se conseguir convencer outros partidos a darem-lhe um voto de confiança negociando acordos. Será, no entanto, um mudar de opinião, uma vez que a própria admitiu, durante a campanha, afastar-se se não conseguisse a maioria.

Ao que tudo indica, os unionistas do DUP, com 10 lugares, vão dar o empurrão que falta ao Partido Conservador.

Mas, na eventualidade de os tories não conseguirem este acordo, Jeremy Corbyn poderia tentar negociar com os Liberais Democratas, os nacionalistas escoceses, os partidos nacionalistas da Irlanda do Norte e Os Verdes. Uma espécie de geringonça à inglesa, como até já há quem deseje.

A própria May chegou a chamar-lhe “uma coligação do caos”. Um cenário que os especialistas têm até agora dado como pouco provável. Corbyn, entretanto, já pediu a demissão de Theresa May, portanto parece confiante que pode conseguir algo.

Para formar uma maioria, são necessários 326 dos 650 assentos parlamentares (o número baixa, na prática, uma vez que o partido Sinn Féin conquistou sete lugares e não os vai ocupar).

Os “pequenos”

Os Liberais Democratas, com 12 lugares, já rejeitaram qualquer coligação.

Já os nacionalistas escoceses, com 35, parecem estar mais dispostos a isso. Nicola Sturgeon chegou a dizer à BBC: “Se houver um parlamento pendurado, claro que procuraremos fazer parte de uma aliança reformista que procure políticas reformistas.”

Há ainda Os Verdes, que chegaram a admitir uma coligação informal com os trabalhistas.

Solução para quando?

As próximas horas e os próximos dias deverão ser de intensas negociações. Os deputados voltam ao trabalho na segunda-feira e terá de haver um voto de confiança no governo. Recorde-se que as negociações para o Brexit deviam arrancar a 19 de junho, mas devem agora ser adiadas.

Outro cenário possível é haver novas eleições para esclarecer o panorama, o que irá atrasar todos os prazos.