A falta de exercício físico é tão perigosa como fumar e é diretamente responsável por uma em cada seis mortes no Reino Unido, alertou um relatório da Public Health England (PHE). Os resultados foram publicados no International Journal of Behavioural Nutrition and Physical Activity.

«Uma falta de exercício físico causa mais danos do que fumar», disse Tam Fry, do National Obesity Forum. O número de mortes devido à inatividade é muito semelhante ao número de mortes atribuídas ao tabagismo, chegando aos 85 mil em Inglaterra e no País de Gales.

Os funcionários da Saúde Pública de Inglaterra advertiram que os estilos de vida sedentários fazem com que as pessoas se exponham a doenças cada vez mais cedo na vida.

Essa falta de exercício não está apenas a causar obesidade, sendo diretamente responsável por várias doenças, como queixas musculares e de articulações, depressão, doenças do coração, tensão alta, demência, dois tipos de diabetes e AVC’s.

Os resultados do relatório chegaram à conclusão de que a população do Reino Unido é agora 20 por cento menos ativa do que era na década de 1960, com metade das mulheres e um terço dos homens a prejudicarem a sua saúde devido à falta de atividade física. Se a tendência continuar, a percentagem chegará aos 35 por cento em 2030.

As autoridades dizem que, se as pessoas não realizarem mudanças na forma como vivem, o Reino Unido pode entrar em colapso com o peso económico das doenças causadas pela obesidade, álcool e tabagismo.

Os resultados demonstram que 63 por cento da população do Reino Unido não faz a quantidade de exercício recomendada, de duas horas e meia por semana. Já na Holanda essa percentagem é de apenas 18 por cento, na Alemanha é de 28 por cento, 33 por cento na França e 41 por cento nos EUA.

O relatório da Saúde Pública culpa o estilo de vida típico no Reino Unido, os empregos de escritório que obrigam as pessoas a gastarem várias horas gastas sentadas, o tempo consumido em viagens de carro e a preferência em ver televisão ou jogar jogos de computador em vez de passar tempo ao ar livre.

O relatório também mostrou que os níveis de atividade eram 15 a 20 por cento superiores em dias de verão, quando o sol se põe depois das nove da noite, do que eram no inverno, quando fica de noite antes das cinco da tarde.

«A inatividade física é um dos principais colaboradores para o aumento dos níveis de obesidade, diabetes e demência. Os nossos estilos de vida modernos aumentam o problema, mesmo aqueles que já fazem exercício físico regularmente correm o risco da sua saúde piorar por passarem longos períodos sentados», afirmou o professor Kevin Fenton, diretor-executivo da Public Health England, agência responsável pela luta contra a obesidade.

«Precisamos de tornar a atividade física uma escolha mais fácil, acessível e natural para todos, como se fosse uma cura milagrosa. Os ambientes de vida e de trabalho mudaram ao longo das últimas quatro décadas e tudo nos conduz à inatividade», acrescentou.

«A inatividade física é um problema de saúde pública. Tanto as pessoas novas como as mais velhas precisam de se mexer mais. Temos de mudar esta cultura do sofá e colocar o exercício físico no centro da rotina diária», afirmou Mike Hobday, diretor de políticas na British Hear Foundation.

«Independentemente da idade, a atividade é essencial para se ter uma boa saúde. O aumento da atividade física é uma prioridade do Governo», anunciou Jane Ellison, ministra da Saúde Pública.

Foi feito um apelo para as pessoas alterarem as suas rotinas, indo às compras de bicicleta, praticando jardinagem ao fim-de-semana ou utilizarem as escadas em vez do elevador. Esta semana, o chefe da NHS Simon Stevens apelou também para as empresas oferecerem prémios e vales para quem perder peso e se mantiver ativo.