Das várias análises que se pode fazer à célebre frase “o crime compensa” esta poderá ser uma das mais inspiradoras. Um norte-americano, condenado a nove anos de cárcere por roubo à mão armada, formou-se numa das mais conceituadas universidades dos Estados Unidos e agora também é escritor.

Reginald Betts tem 35 anos e é uma inspiração para muitos afro-americanos presos nos Estados Unidos. Tudo depois de um livro lhe ter chegado às mãos quando se encontrava detido em solitária e ter mudado a sua vida.

O cárcere de Betts começou em 1996 quando este assaltou uma pessoa num carro com um amigo, levando o automóvel e os documentos da vítima. No dia seguinte, foram apanhados em flagrante pela polícia quando estavam no centro comercial às compras com o cartão de crédito do lesado.

O jovem foi preso e enviado para um reformatório juvenil, mas acabou por ser julgado como adulto. O juiz considerou-o culpado pelo crime de assalto com recurso a arma e condenou-o a nove anos de prisão efetiva.

Durante a prisão, Reginald Betts passou pela solitária várias vezes por mau comportamento e ofensas a guardas prisionais. Segundo o relato do próprio ao site G1, foi na solitária que a sua vida mudou.

Na cela de castigo não eram permitidos objetos como livros, papéis ou canetas. Os prisioneiros ficavam isolados durante o tempo estipulado pela direção do estabelecimento prisional.

Apesar das regras da solitária, o norte-americano conta que era sempre possível contornar o sistema.

Podias gritar para que alguém te mandasse um livro e aparecia sempre alguma coisa”, disse.

“Poetas Negros” foi o nome de uma das obras que lhe chegou às mãos. Um dos autores desse livro, Etheridge Knight, escreveu sobre a vida na prisão, Reginald Betts identificou-se com a história e começou a escrever.

Knight, em especial, virou poeta na prisão e teve sucesso com os seus textos depois de ser libertado. Lê-lo ajudou-me a decidir que também queria ser poeta”, confessou o Betts.

Quando foi libertado, em 2005, Reginald Betts casou, teve dois filhos, estudava literatura na universidade e já tinha publicados alguns livros.

A prisão também lhe abriu as portas para se formar em direito. Começou por realizar um curso básico e trabalhou na biblioteca de livros jurídicos. Já em liberdade, candidatou-se às melhores universidades norte-americanas e conseguiu entrar em Yale.

Dez anos depois de ter saído em liberdade, Reginald Betts sente-se orgulhoso do seu percurso e da forma como conseguiu construir a sua vida, e hoje é presença assídua em palestras motivacionais e serve de inspiração a muitos reclusos.