Quase quatro milhões de crianças que se viram obrigadas a abandonar as suas casas e a sobreviver em países terceiros não têm acesso à educação. A conclusão faz parte de um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que foi divulgado esta quinta-feira.

A agência da ONU elaborou um relatório sobre assistência a centros de educação primária ou secundário e revelou que 3,7 milhões dos seis milhões de crianças que se encontram sob a sua alçada não têm acesso a nenhum centro.

Em concreto, 1,75 milhões de crianças refugiadas não frequentam a escola primária e 1,95 milhões de adolescentes não acedem ao ensino secundário.

Segundo o estudo, a probabilidade de os refugiados não frequentarem a escola é cinco vezes mais elevada do que a média mundial de crianças sem acesso à educação.

"A educação dos refugiados está abandonada, quando constitui uma das poucas oportunidades de transformar e construir a geração futura para que possa mudar o destino de dezenas de milhares de deslocados à força que existem no mundo", disse o alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

Comparando os dados do ACNUR com os da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) relativos às matrículas escolares, percebe-se que apenas 50% das crianças refugiadas vão à escola primária, quando a média mundial é de 90%.