"O caos". O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados não usa meias palavras para antecipar as consequências da nova lei anti-imigrantes aprovada na sexta-feira pela Hungria, ao mesmo tempo que o responsável máximo da ONU, Ban Ki-Moon renova o apelo à Europa para uma resposta eficaz para esta crise.

"A grande maioria das pessoas que chegam à Europa são refugiados que fogem à guerra e à violência e que têm o direito de requerer asilo, sem qualquer forma de discriminação"

Ban Ki-moon quer que os líderes europeus ajam de forma responsável e humana com os refugiados que chegam às suas fronteiras e convida-os para uma reunião sobre a migração no final deste mês.

O líder da ONU esteve em contacto com os responsáveis máximos de sete governos europeus ao longo dos últimos dias devido à onda de refugiados da Síria, Iraque e outros países onde o denominador comum é a guerra, afirmou o porta-voz Stephane Dujarric citando as palavras do líder das Nações Unidas.

Só este ano,  já morreram pelo menos 2.760 migrantes no Mediterrâneo. Fora aqueles que as estatísticas poderão não ter contabilizado. 

A Agência da ONU para os Refugiados, da qual o português António Guterres    é ainda o alto-comissário, advertiu também hoje que a Europa tem de passar das palavras às ações e   acolher 200.000 refugiados, defendendo que não pode haver apenas “uma solução alemã para um problema europeu”.   

A Europa está longe de estar em sintonia quanto ao problema. O caso da Hungria é paradigmático, com a criação de uma lei anti-imigrantes.
 
“É importante que a aplicação desta legislação seja bem pensada (…) Caso contrário, poderá conduzir ao caos na fronteira após 15 de setembro”

É essa a data prevista para a sua entrada em vigor, daí este alerta deixado pelo responsável para a Europa do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Vincent Cochetel assinalou a necessidade de uma “melhor coordenação entre todos os intervenientes, a polícia, os serviços de imigração, as autoridades locais e as agências humanitárias na fronteira”.

A par da Hungria, outros três países rejeitam qualquer sistema de quotas obrigatórias para aceitar migrantes: República Checa, Polónia e Eslováquia.

Na semana passada, as autoridades húngaras enganaram milhares de refugiados, que pensavam que iam de comboio até à Áustria e à Alemanha, mas afinal foram levados para um centro de refugiados.

Isso desencadeou indignação e revolta entre aquelas pessoas, que começaram a fugir dos campos e fizeram-se à estrada, em direção à Áustria. A Hungria tinha cancelado todas as viagens para a Europa Ocidental desde Budapeste, famílias inteiras "viveram" nas estação de comboios durante vários dias e só quando as pessoas começaram a desertar a pé é que as autoridades decidiram  oferecer transporte até à fronteira com a Áustria.