A Hungria quer que a Alemanha clarifique a situação dos imigrantes ilegais, depois de Berlim ter alegadamente manifestado a sua recetividade aos refugiados da Síria, o que precipitou a entrada de milhares de pessoas no país, que aguardam agora nas estações de comboio de Budapeste.

Segundo a agência Reuters, nesta segunda-feira, que cita um porta-voz do Governo húngaro, os migrantes só podem deixar a Hungria com documentos e vistos válidos do país de destino, segundo a legislação em vigor da circulação no espaço Schengen.

Andras Giro-Szasz diz que a Hungria tem "massas" de migrantes em Budapeste, com "esperança renovada" de poderem ser acolhidos pela Alemanha ou pela Áustria, particularmente os refugiados sírios.

"Para podermos acabar com a falta de transparência e as condições adversas, pedimos à Alemanha para clarificar a situação legal destas pessoas", pediu o porta-voz.

Por sua vez, o Governo alemão negou que estivesse à espera de "comboios especiais" provenientes da Hungria e que, neste caso, e ao abrigo da lei do asilo da União Europeia, o primeiro registo dos refugiados tem de ser realizado em território húngaro.

"Não, não há comboios especiais. As pessoas que chegam à Hungria têm de se registar e procurar asilo lá", escreveu a chanceler Angela Merkel na rede social Twitter.
  
Entretanto, várias centenas de migrantes bloqueados há dias numa estação ferroviária de Budapeste embarcaram hoje em comboios para a Alemanha e a Áustria, num momento em que não eram visíveis quaisquer elementos da polícia.

A polícia tinha impedido até agora cerca de 2.000 migrantes de saírem da estação, mas hoje, sem nenhum agente da polícia presente, centenas precipitaram-se para os comboios internacionais com destino a Viena, Munique e Berlim, segundo jornalistas no local.

Segundo o portal de informações húngaro Origo, a polícia “desapareceu de repente”, por razões não determinadas.

As autoridades húngaras intercetaram entre sexta-feira e domingo 8.792 migrantes que cruzaram a fronteira de forma ilegal e detiveram 36 pessoas por suspeita de tráfico de seres humanos, anunciou hoje o Ministério do Interior húngaro.

A Hungria anunciou no sábado a conclusão da barreira de arame farpado, destinada a impedir a entrada de milhares de migrantes concentrados junto à fronteira com a Sérvia.

Na semana passada, 10.000 migrantes atravessaram esta fronteira e nos últimos dois anos a Hungria tornou-se num dos principais países de trânsito na UE para migrantes que tentam ir para a Áustria ou Alemanha. A maioria é oriunda do Iraque, Afeganistão, Síria e Kosovo.