“A Europa está à beira de uma crise humanitária em grande parte autoinfligida”, é o alerta do porta-voz da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR), Adrian Edwards, que, nesta terça-feira, em conferência de imprensa, em Genebra, fez um balanço da situação.

A Grécia, particularmente, está a rebentar pelas costuras, uma vez que das 131.724 pessoas que conseguiram atravessar o Mediterrâneo em 2016 a maioria - 122.637 - chegou à costa grega. Contas feitas, chegaram mais refugiados à Europa em janeiro e fevereiro que nos primeiros seis meses de 2015. 

O Alto-Comissariado da ONU insta, por isso, os estados-membros a resolver a situação, sobretudo na Grécia e sobretudo ao nível burocrático, de modo a facilitar a concessão de asilo aos milhares de refugiados que ali se encontram retidos, muitos entregues ao frio, à fome e à falta de condições no geral.

Os governos não estão a trabalhar conjuntamente, apesar de já terem chegado a acordo em várias matérias. E há países atrás de países a imporem novas restrições fronteiriças. Estas práticas inconsistentes estão a causar sofrimento desnecessário e a colocar em causa leis internacionais”, afirmou Adrian Edwards.

Só na Grécia permanecem 24.000 refugiados, 8.500 dos quais em Eidomeni, junto à fronteira com a Macedónia, onde se registaram confrontos com as autoridades na segunda-feira.

Apesar de as travessias do Mediterrâneo terem abrandado por causa do inverno continuam relativamente elevadas, alertou a ACNUR, apontando para os números acima divulgados.

Também de acordo com a agêcnia da ONU, perderam a vida nesta travessia 410 refugiados, muitos deles crianças. Isto, recorde-se, só em janeiro e fevereiro. 

A Grécia não pode suportar esta situação sozinha. É absolutamente vital que os esforços de recolocação acordados em 2015 pelos estados-membros da União Europeia sejam prioritários e implementados", defendeu o responsável.

A ACNUR lamenta que, "apesar dos compromissos assumidos para recolocar no imediato 66.400 refugiados da Grécia", tenham sido concretizados apenas 325.

No que respeita a Portugal, ao abrigo do mecanismo europeu de recolocação, já chegaram ao país 26 refugiados e seguem-se mais 37.

O primeiro-ministro António Costa manifestou já aos homólogos que Portugal está disponível para receber mais refugiados que a quota estabelecida.