Este ano já morreram 600 crianças na travessia do Mediterrâneo, ou seja, uma média de duas mortes infantis por dia, alerta a organização não governamental Save the Children, nesta segunda-feira.

O número, apurado entre 1 de janeiro e 26 de setembro, resulta da análise de dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Em 2016, mais de 300 mil refugiados ou migrantes atravessaram o Mediterrâneo, fugidos da guerra, da violência ou à procura de melhores condições de vida. Apesar do número ter diminuído 42%, comparado com o mesmo período do ano passado, as pessoas dadas como mortas ou desaparecidas ascendem a 3.211, entre elas 600 crianças, segundo a ONG.

Mais de 10.400 homens, mulheres e crianças morreram ou desapareceram a tentar atravessar as fronteiras da Europa, pelo mar. Só este ano, estimamos que morreram 600 crianças – numa taxa de duas por dia”, disse Kevin Watkin, diretor executivo do Overseas Development Institute, ao jornal Independent.

A organização Save The Children, em declarações à mesma publicação, afirmou que, desde o início do ano, mais de 20.600 crianças refugiadas e migrantes chegaram a Itália, sendo que 18.400 estavam sozinhas.

Mais medidas

Para o ACNUR, “a situação evidência a necessidade urgente dos países aumentarem as suas vias de admissão de refugiados, como o reassentamento, financiamento privado, reunião familiar, sistema de bolsas estudantis, entre outros, para que os refugiados não tenham de recorrer às viagens perigosas e aos contrabandistas”.

Estas medidas podem ajudar a diminuir o número de mortes e, consequentemente, da chegada de crianças sozinhas à costa italiana. 

No Mediterrâneo, cinco nacionalidades, nomeadamente Síria, Afeganistão, Iraque, Nigéria e Eritreia, correspondem a 68% de todas as chegadas.

Para além da redução do número de mortes, o ACNUR procura que todas as crianças refugiadas tenham acesso à educação.