A polícia chilena pediu na segunda-feira a captura internacional do uruguaio Raúl Gómez Cincunegui, o homem que esteve perdido durante quatro meses na cordilheira dos Andes e foi encontrado no domingo, por ser acusado de abuso sexual de menor.

O caso está a decorrer desde 22 de abril e foi determinada uma detenção a 17 de junho, quando o homem falhou a comparência a uma audiência, escreve o jornal argentino «La Nacion». Nessa data, já Raúl estava perdido nas montanhas.

Agora, foi pedida uma extradição do motorista uruguaio, que é acusado de ter cometido «abuso sexual de menor» sobre um jovem de oito anos, na localidade de Cerro Navia, a norte de Santiago, informa um comunicado do Ministério Público.

De acordo com o «La Nacion», Raúl mudou-se para a cidade de Petorca, a 220 quilómetros a norte de Santiago, após o abuso sexual. Aí, começou a caminhada a pé para fazer a travessia nos Andes, onde se perdeu.

Durante as últimas semanas foi notícia na região por causa da chegada da Interpol, deslocada ao local para proceder à captura do homem. Patrícia Gómez, filha do acusado, afirmou que o pai «não estava a fugir» quando decidiu atravessar os Andes a pé.

De acordo com o mesmo comunicado do Ministério Público, pensa-se que o homem teria decidido fazer este caminho por não ter um passaporte válido e porque as entidades fronteiriças estavam notificadas para proceder à captura do uruguaio.

A filha desmentiu a existência de qualquer caso de abuso sexual a um menor e que não se tratou de uma fuga, mas sim de «mais uma viagem». «Peço-lhes que averiguem. Chamem os juízes e os fiscais (chilenos) e averiguem. Quando contactamos a Interpol disseram-nos que ele estava dado como perdido e não como capturado», afirmou a filha à imprensa local, citada pelo «Diario de Cuyo».