O chefe da Agência Nacional de resgate da Indonésia, Bambang Soelistyo, desmentiu que tenham sido recuperados 40 corpos do acidente aéreo do avião da AIr Asia, que caiu no mar Java, corrigindo o número para apenas três: um homem e duas mulheres, avança a AFP.

Esta manhã, o porta-voz da marinha indonésia, Manahan Simorangkir Kadispenal, tinha avançado o número à Reuters, e garantia que mesmo deveria aumentar. Um erro numa comunicação de rádio terá causado a falsa informação.

Três dias depois do desaparecimento do avião da AirAsia, chega a confirmação: o aparelho caiu no mar com 162 pessoas a bordo. 

O presidente da AirAsia, Tony Fernandes, assume a responsabilidade. «Não vou fugir das minhas responsabilidades. Os passageiros estavam no meu avião».
  Uma equipa de investigação de acidentes aéreos parte esta quarta-feira de Singapura.

Em conferência de imprensa, as autoridades anunciaram que está absolutamente confirmada a origem dos corpos e dos destroços.
  Os cadáveres foram encontrados no mar de Java, apenas a dez quilómetros da posição que o avião assumia no momento em que comunicou pela última vez com a torre de controlo, a pedir para alterar a rota. 

Descoberto que está o local onde o aparelho caiu, o trabalho de recuperação dos corpos não se avizinha fácil, com mar agitado e ondas grandes. 
 
O presidente indonésio Widodo juntou-se às famílias, apelou à união na dor e que «todos rezassem pelas famílias». Widodo afirmou que a prioridade é a recuperação dos corpos. O presidente agradeceu também aos países que estão a ajudar nas buscas. 
 
Famílias souberam em direto pela televisão


A SkyNews acrescenta que os corpos não tinham coletes salva-vidas e a televisão indonésia transmitiu mesmo as imagens dos corpos a boiarem no mar de Java. Um choque para as famílias. Pelo menos uma mulher acabou por desmaiar. 



Pais, filhos, maridos e mulheres, irmãos, que há três dias se agarravam à esperança. O presidente da câmara de Surabaya, que tem dado abrigo e apoio aos familiares que se concentram naquela cidade indonésia há três dias, pediu «força» e deixou palavras de conforto: 

«Temos que ser fortes. Eles não são nossos, eles pertencem a Deus». 


Aguarda-se a chegada dos corpos - que serão transportados por um navio da Marinha indonésia - a terra. O aparelho está a cerca de 30 metros de profundidade.

O prenúncio da tragédia tinha chegado pouco tempo antes, quando foi encontrada uma porta de avião e outros objetos. Os destroços detetados esta terça-feira no mar de Java durante buscas aéreas pertencem ao avião da AirAsia, que desapareceu no domingo, com 162 pessoas a bordo, disse logo o diretor geral da aviação civil da Indonésia à agência AFP. 

«De momento, podemos confirmar que se trata do avião da AirAsia», afirmou Djoko Murjatmodjo, indicando que o ministro dos Transportes vai partir em breve para Pangkalan Bun, na zona de buscas onde foram localizados os destroços.



Um avião da Força Aérea detetou ainda uma «sombra na forma de um avião» no leito marinho que se acredita ser do aparelho da AirAsia.



O presidente da companhia AirAsia, o lusodescendente Tony Fernandes, reagiu de imediato, através do Twitter, à descoberta dos destroços. Tony Fernandes apresentou de imediato as condolências às famílias.

 
Já em Surabaya, Tony Fernandes mostrou-se «devastado» com a descoberta dos corpos

 
Terceiro dia de buscas e o fim da esperança

Ao terceiro dia de buscas, as autoridades indonésias detetaram uma dezena de objetos no mar de Java durante as buscas aéreas pelo aparelho da companhia aérea AirAsia. Os primeiros objetos encontrados foram um colete salva-vidas, bagagem e destroços semelhantes aos de uma porta e rampa de emergência. 

«Com base na observação feita pelo pessoal de busca e resgate, foram encontrados itens significativos como uma porta de passageiros e uma de carga. Estão no mar, a 100 milhas (160 quilómetros) a sudoeste de Pangkalan Bun», no centro de Kalimantan, na ilha do Bornéu, explicou o mesmo responsável.


Os destroços foram localizados a dez quilómetros da última posição do avião capturada pelo radar. 

A descoberta surgiu após as autoridades terem ampliado a zona de rastreio, esta terça-feira.


A Agência Nacional de Busca e Resgate (Basarnas) da Indonésia estendeu a missão a 13 setores que incluem as águas do norte do mar de Java, o estreito de Karimata e o norte da ilha de Bangka e, em terra, a ilha de Belitung e o sudoeste do Bornéu.

Esta terça-feira assinalou-se o terceiro dia de buscas pelo aparelho. Pelo menos 30 barcos, 15 aviões e sete helicópteros estão envolvidos nas operações, nas quais participam vários países como a Malásia, Singapura, Austrália, Coreia do Sul, Tailândia, China e Estados Unidos. Os norte-americanos destacaram  um contratorpedeiro para ajudar as autoridades indonésias.

As últimas palavras trocadas pelo piloto com o controlador aéreo


Entretanto, a imprensa local noticia esta terça-feira que os controladores aéreos negaram o pedido do piloto do avião de elevar o Airbus de 32.000 para 38.000 pés de altitude, uma vez que um outro aparelho voava a essa altura.

Perante as dúvidas, o controlador divulgou a conversa. 

Dois minutos antes, às 06:12 locais, o comandante Iriyanto pediu autorização para desviar o avião para a esquerda com o objetivo de evitar uma tempestade.

«Peço para subir altitude», terá dito o piloto, segundo a AirNav. 
«Para que nível?», perguntou o controlador aéreo.
«Para os 38000 pés», terá respondido à AirNav.


O avião teve a permissão e ainda subiu sete mil pés, desviou-se para a esquerda, mas o controlador já não obteve novo contacto com o avião, explicou a AirNav.