Cynthia Cheroitich, de 19 anos, estava escondida num armário e tapada com roupas. À Associated Press, conta que nunca saiu, mesmo quando ouviu os terroristas a pedirem aos estudantes para aparecerem.

 

Já este sábado, demorou a revelar-se, porque não acreditava que eram as autoridades. «Como é que sei que vocês são da polícia queniana», perguntou-lhes.

 

Cynthia só saiu quando um dos professores lhe pediu. «Estava a rezar ao meu Deus», disse, acrescentando que bebeu uma loção que tinha consigo para sobreviver. A jovem não está ferida, só tem muita sede.

 

Cynthia é cristã e, segundo os relatos dos sobreviventes, os terroristas do grupo Al-Shabab visaram precisamente os cristãos, poupando os muçulmanos.

A imprensa local está a ser acusada de má cobertura do ataque, devido a uma nova lei que proíbe mostrar imagens que criem «medo».

 

No entanto, nas redes sociais, está a circular uma imagem chocante, que terá sido tirada pela polícia queniana, e que mostra dezenas de corpos estendidos no chão, dentro da universidade. A autenticidade da imagem não foi confirmada oficialmente.

 

Também este sábado, a polícia queniana anunciou que deteve cinco homens relacionados com o ataque. Três deles, suspeitos de o terem coordenado, estavam a tentar fugir para a Somália. São quenianos, de origem somali, tal como o quarto detido, que era segurança na universidade e terá «facilitado» a entrada dos terroristas.

 

O quinto detido é Rashid Charles Mberesero, da Tanzânia, apanhado dentro da universidade. «Estava escondido no telhado e suspeitamos que é um dos terroristas. Tinha com ele munições», afirmou um porta-voz do governo.

 

As autoridades acreditam que o grande responsável pelo massacre é Mohamed Mohamud, ex-professor nesta universidade, e oferecem 20 mil euros de recompensa pela sua detenção.

 

Quatro terroristas foram mortos pela polícia durante o ataque e os seus corpos foram expostos à população este sábado para que sejam identificados.

 

O grupo Al-Shabab  promete, no entanto, mais ataques, como vingança pela presença militar do Quénia na Somália e pelo que alegam ser a discriminação dos muçulmanos neste país.

 

«Nenhuma quantidade de precaução ou de medidas de segurança serão capazes de garantir a vossa segurança, impedir outro ataque ou prevenir outro banho de sangue nas vossas cidades», pode ler-se num comunicado recebido pela Reuters.