Qandeel Baloch foi estrangulada pelo irmão, depois de repetidos avisos para acabar com as publicações ousadas nas redes sociais. Conhecida como a Kim Kardashian do Paquistão - um país muçulmano conservador - as selfies de Baloch provocavam polémica e quebravam tabus.

A jovem causou polémica em junho, ao pousar para selfies com um clérigo, que foi severamente repreendido pelo Ministério de Assuntos Religiosos do país.

No começo do ano, Qandeel prometeu despir-se e colocar o vídeo nas redes sociais se a seleção de críquete do Paquistão vencesse a Índia num campeonato, mas a equipa não conseguiu o feito.

Qandeel Baloch

Numa conferência de imprensa organizada pela polícia local, o autor do estrangulamento confessou não estar envergonhado e confessou o crime. Segundo avança o Daily Mail, para Muhammed Wasseem o assassinato da irmã foi um crime de honra, visto que o comportamento de Qaandeel era “completamente intolerável”.

O irmão da paquistanesa declarou tê-la morto na casa de família, no primeiro andar, enquanto os pais dormiam no piso superior.

Eram aproximadamente 22:45 quando a matei", disse Muhammed.

Quem denunciou o presumível assassino foi o pai, que acusa o filho de matar a irmã “porque queria que ela abandonasse o negócio da fama”.

Este não é um caso isolado

Todos os anos, centenas de mulheres são mortas por motivo de honra no Paquistão. Os assassinos não costumam ser punidos, devido a uma lei que permite à família da vítima perdoar o agressor, que costuma ser um parente.

A cineasta Sharmeemn Obaid-Chinoy, cujo documentário sobre crimes de honra ganhou um Óscar este ano, classificou o assassinato de Qandeel como sintoma de uma "epidemia" de violência contra as mulheres no Paquistão.

Qandeel ficou famosa em 2014, quando publicou um vídeo em que olhava para a câmara de forma sensual e perguntava como estava a sua aparência. A forma que encontrou para desafiar as tradições, através de visões liberais, renderam-lhe admiradores entre a população jovem.

Contudo, num país onde as mulheres lutam pelos seus direitos há décadas, e em que ataques com ácidos e crimes de honra são frequentes, a jovem também era rejeitada por muitos e costumava ser vítima de episódios públicos de repulsa.