O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela condenou terça-feira o presidente da Câmara Municipal de San Cristóbal, Daniel Ceballos, a 12 meses de prisão por «não cumprir» uma ordem judicial que obrigava a desmantelar barricadas das manifestações na sua jurisdição.

Com esta condenação são já três os venezuelanos detidos, julgados e condenados pelo mesmo delito depois dos casos do presidente da Câmara Municipal de San Diego, Vicencio Scarano Spisso, e do chefe da polícia local, Salvatore Lucchese Scaletta, condenados a 10 meses e meio de prisão.

«Condenou-se Daniel Ceballos a cumprir 12 meses de prisão pelo desacato (...). Em consequência cessa o exercício do cargo de presidente da Câmara Municipal de San Cristóbal, estado de Táchira», explicou a magistrada Gladys Maria Gutiérrez Alvarado, na leitura da sentença, citada pela Lusa.

Ao conhecer-se a decisão, a advogada Ana Leonor Acosta, denunciou terem sido «violados todos os direitos e o devido processo» ao mesmo tempo que ao ser condenado pelo Supremo Tribunal implica que «não haja outra instância» para recorrer da decisão.

Já Nicolás Maduro congratulou-se com a decisão, garante ter sido feita «justiça» e manifestou o apoio incondicional do chefe de Estado ao tribunal.

Militante do partido Vontade Popular, Daniel Ceballos foi detido a 19 de março por, alegadamente, apoiar a «violência» de manifestantes na área administrativa.

Segundo o ministro venezuelano do Interior, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres, a detenção foi efetuada por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (polícia política) e ordenada por um tribunal venezuelano por, alegadamente, o autarca estar envolvido nos delitos de rebelião civil e associação criminosa.