Uma cerimónia de crentes do hinduísmo, onde se assassinam centenas de animais em honra de deuses, começou na manhã desta sexta-feira, numa região remota do Nepal, apesar dos protestos dos ativistas de direitos dos animais.
 
A aldeia de Bariyapur, perto da fronteira com a Índia, encheu-se de devotos empunhando espadas preparados para uma carnificina, durante um festival de dois dias, onde cortam a garganta a vários animais.
 
«É muito festivo aqui, estão todos entusiasmados. Todos os rituais matinais correram normalmente e agora começa o sacrifício», disse o padre da aldeia, Mangal Chaudhary, ao jornal Aljazeera.
 
Espera-se que inicialmente os crentes sacrifiquem apenas búfalos, antes de passarem para outros animais. Depois também vão matar cabras, ratos, galinhas, porcos e pavões. A carne das cabras e galinhas é distribuída pelos crentes e os habitantes da vila.
 
«Estou a oferecer uma cabra a Gadhimai para manter a minha família segura. Se acreditarmos nela, ela realiza os nossos desejos», contou Sita Ram Yadav, um agricultor, ao jornal The Malaysian Insider.
 
Os crentes do Nepal e da Índia passaram os últimos dias a dormirem ao ar livre e a rezarem aos deuses do templo, onde foram colocadas várias flores.
 
O festival arrancou à meia-noite de quinta-feira, com a segurança bastante apertada. Cerca de 1 200 polícias estão a patrulhar a vila e o campo, onde os sacrifícios estão a ter lugar, para além de controlarem as multidões que querem assistir, poderem evitar confrontos entre os crentes e os ativistas.
 
Estima-se que, durante o festival de 2009, se cortou a cabeça ou a garganta a cerca de 300 mil animais, fazendo com que esta cerimónia se tornasse no maior sacrifício de animais no mundo.
 
Os defensores dos direitos dos animais acusam as autoridades do templo de «fazerem dinheiro através das crenças das pessoas».
 
«Estão a extorquir dinheiro com as entradas, o parque de estacionamento e isso», disse Manoj Gautam, presidente da «Animal Welfare Network» do Nepal, que está em Bariyapur para protestar contra o ritual.
 
De acordo com a lenda, os primeiros sacrifícios em Bariyapur foram realizados há vários séculos atrás, quando a deusa Gadhimai apareceu num sonho de um prisioneiro e pediu-lhe para construir um templo em sua honra. Quando o prisioneiro acordou, as algemas estavam abertas, conseguiu escapar da prisão e construir o templo, onde sacrificou animais para agradecer à deusa.
 
A campanha para acabar com o festival atraiu a atenção de algumas celebridades, incluindo a atriz britânica Joanna Lumley e a atriz francesa Brigitte Bardot, que pediu ao presidente do Nepal para terminar a «cruel tradição».