Vários milhares de estudantes de todo o Reino Unido manifestaram-se esta quarta-feira em Londres contra o montante excessivo das propinas universitárias e os cortes orçamentais na educação.

«A educação é um direito, não um luxo» e «Livros não são bombas» foram algumas das palavras de ordem repetidas pelos manifestantes, entre os quais uma jovem brandia um cartaz em que se lia «Quero ser escocesa», uma vez que o parlamento regional da Escócia decretou a frequência gratuita da universidade. Por entre um mar de cartazes, os estudantes gritavam «Propinas de inscrição? Nem pensar! Taxem os ricos e façam-nos pagar!», por entre um mar de cartazes.

Registaram-se alguns atos de violência no final do cortejo, e a polícia antimotim teve de intervir para impedir um grupo de manifestantes de entrar na sede do Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, David Cameron. Vários estudantes tentaram ainda retirar as barreiras colocadas nas imediações da Parliament Square e acenderam bombas de fumo.

A polícia londrina deu conta de pelo menos 11 detenções. Três polícias sofreram ferimentos ligeiros.

Os organizadores do protesto esperavam a maior manifestação estudantil desde as de novembro e dezembro de 2010, que reuniram até 50.000 pessoas, na altura da votação da lei sobre o aumento das propinas universitárias e desembocaram em violentos confrontos.

Antes da reforma aprovada em 2010, as propinas cifravam-se em 3.300 libras (perto de 4.000 euros). Os estudantes protestaram maciçamente contra a duplicação, a partir de 2012, desse valor em dois terços das universidades britânicas, tendo mesmo atingido as 9.000 libras (10.500 euros) num terço delas, sobretudo em Londres.

«Queremos uma educação gratuita para todos. Isso faz economicamente sentido. Isso compensará no futuro», declarou à agência de notícias francesa, AFP, Nehaal Bajwa, de 26 anos, uma estudante de mestrado em Economia que paga 9.360 libras por ano de propinas.

«Muito do dinheiro vai para os bancos. Nós queremos que vá para as escolas. Não apenas para as universidades mas também para as creches, para os liceus, etc. Isso faz parte dos direitos humanos», acrescentou, enquanto participava no protesto.

«Nós manifestamo-nos para exigir uma alternativa às propinas de inscrição de 9.000 libras, à colossal dívida estudantil e aos cortes orçamentais selvagens que afetaram a educação», declarou Aaron Kiely, do Sindicato Nacional Estudantil (NUS).