O governo francês vai colocar cerca de 10 mil militares em «pontos sensíveis do país» para evitar possíveis novos ataques. Também cerca de 5.000 polícias e guardas franceses vão ser mobilizados para proteger todas as escolas judaicas do país, mais de 700, anunciou o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.



Cazeneuve fez este anúncio perante os pais de alunos de uma escola judaica dos arredores a sul de Paris, perto do local onde Amedy Coulibaly, um dos autores dos atentados da semana passada, matou uma agente da polícia, antes de atacar um supermercado do leste de Paris.

Já segundo o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, cerca de 10 mil tropas serão mobilizadas a partir de terça-feira, praticamente o mesmo número de militares franceses que estão em missões no estrangeiro. Os locais «sensíveis» não foram anunciados por uma questão de segurança. A revelação foi feita após uma reunião do departamento da Defesa para definir as medidas de segurança.

Também esta segunda-feira, em entrevista à BFM-TV, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, revelou que é necessário «melhorar» o sistema de escutas, para se tornar «mais eficiente», e admitiu que houve «falhas» no acompanhamento dos irmãos Kouachi, já referenciados como jihadistas pelos serviços secretos.



Valls espera ainda que seja possível isolar os islamitas radicais nas prisões francesas e defendeu uma comissão de inquérito no Parlamento para apurar responsabilidades.

O primeiro-ministro anunciou também que esta terça-feira será feita uma homenagem aos três polícias mortos durante os ataques da semana passada. 

Segundo Manuel Valls, o plano antiterrorista, designado «Vigipirate», vai manter-se «ao mais alto nível» nos próximos tempos. «A caça continua», garantiu, admitindo que as autoridades podem estar à procura de outros suspeitos.
 

«Nós acreditamos que, provavelmente, houve cúmplices».


Este domingo, três milhões de pessoas manifestaram-se nas ruas francesas contra o terrorismo, mostrando-se solidárias com as vítimas dos três incidentes violentos na capital francesa, incluindo um sequestro, que, no total, totalizaram 20 mortos e começaram com o ataque ao jornal Charlie Hebdo.



Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, foram mortos na sexta-feira passada, na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, nos arredores da cidade, onde se tinham barricado.

Na quinta-feira, foi morta uma agente da polícia municipal, a sul de Paris, tendo a polícia estabelecido «uma ligação» entre os dois ‘jihadistas' suspeitos do atentado ao Charlie Hebdo e o presumível assassino.

Na sexta-feira, ao fim da manhã, cinco pessoas foram mortas num supermercado 'kosher' (judaico) do leste de Paris, numa tomada de reféns, incluindo o autor do sequestro, que foi morto durante a operação policial.

Hayat Boumeddiene era a namorada do sequestrador do supermercado judaico, em Paris, e terá participado também na morte de um polícia, no dia seguinte ao atentado à redação do jornal «Charlie Hebdo».  Esta segunda-feira, o ministro de Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, afirmou à agência Anatolian, que a jovem entrou na Síria a 8 de janeiro.