O presidente do Iémen chegou esta quinta-feira à Arábia Saudita, onde se exilou após as milícias tomarem o controlo da cidade de Aden, para onde ele já tinha fugido em fevereiro, depois das forças antigovernamentais passarem a controlar a capital Sanaa.
 
O presidente Hadi partiu na quarta-feira, de barco, para um destino desconhecido, mas a televisão saudita disse esta quinta-feira que o chefe de Estado está em Riade, segundo cita a Reuters.
 
Abd-Rabbu Mansour Hadi abandonou o país, mas as forças leais ao presidente continuam os fortes combates com os rebeldes, que esta quinta-feira foram alvo de vários ataques aéreos liderados pela Arábia Saudita e pela Liga Arábe.
 
O líder dos rebeldes hutis, Abdel-Malek al-Houthi, considerou, numa declaração televisiva citada pela agência, que os ataques sauditas são «criminosos» e «injustos».
 
A Arábia Saudita já na quarta-feira tinha feito um reforço militar na fronteira por razões de segurança, mas, agora, a sua intervenção direta no território vizinho, eleva o problema iemenita para outro patamar e as bolsas, como Wall Street, manifestaram esse receio com o índice no vermelho. Afinal, o Iémen é uma «ficha» importante na roleta do petróleo mundial.

Com o cair da noite, explosões violentas sentiram-se em Sanaa, segundo a AFP. Foram ouvidos também os tiros da defesa antiaérea, em resposta ao que as testemunhas dizem ser um ataque da coligação contra uma base em Al-Istiqbal, localizada na entrada oeste da cidade de Sanaa.

As testemunhas referiram ainda que os bombardeamentos tinham como alvo a base militar de Al-Samaa, a norte de Sanaa, usada por unidades militares que, alegadamente, recebem instruções do seu antigo comandante, Ahmed Ali Saleh.
 
Segundo a televisão Al-Arabya, a Arábia Saudita contribui com uma centena de aviões para a operação «Tempestade para resolver» (tradução livre) e há mais 85 aparelhos provenientes dos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Marrocos, Bahrain, Koweit. Jordânia e Sudão também colocaram tropas em alerta e o Egito mandou quatro vasos de guerra para o Golfo de Aden. A Turquia também ofereceu ajuda logística para travar a «guerra no Iémen». Barack Obama autorizou igualmente apoio logístico à Arábia Saudita logo na quarta-feira, segundo a Fox.
 
O Irão, por seu turno, criticou a Arábia Saudita pelo seu envolvimento, argumentando que essa posição vai inflamar ódios sectários entre etnias, um problema que já afeta muitos países do Médio Oriente.
 
Na sequência desta posição, David Cameron, primeiro-ministro britânico, falou com o presidente do Irão pelo telefone criticando o apoio às milícias hutis, acrescenta a Reuters. Posição idêntica foi declarada pelo presidente turco, apelando para que Teerão retire o apoio aos rebeldes.
 
A Arábia Saudita assume, no entanto, que por agora, não pretende fazer nenhuma ofensiva terrestre para restaurar o poder de Hadi no Iémen.