O candidato do centro-direita, Mauricio Macri, que já foi presidente do clube de futebol Boca Juniors, venceu no domingo as eleições presidenciais na Argentina. A oposição tirou, assim, a esquerda do poder. A Argentina virou-se para o centro-direita. Antecipam-se agora mudanças no lado da economia, com o fim dos 12 anos da esquerda de Kirchner, noticia a Reuters.
 
O diário argentino “El Clarin” sublinha que se trata da primeira vez que eleições presidenciais argentinas são decididas à segunda volta. Esta é também a primeira vez que um líder da direita liberal chega ao poder pelas urnas em eleições livres, sem o apoio de uma ditadura, fraudes ou candidatos proscritos. Mauricio Macri será empossado Presidente no dia 10 de dezembro e vai presidir aos destinos da Argentina durante quatro anos.
 
Com a contagem dos votos quase concluída, era claro que o candidato conservador Mauricio Macri tinha derrotado o adversário kirchnerista, Daniel Scioli. Macri obteve 51,6 por cento dos votos contra 48,5 por cento do rival Scioli, uma margem de vitória que foi apesar de tudo menor do que o esperado.
 
Após vencer a segunda volta das eleições Mauricio Macri, líder da aliança Cambiemos, prometeu o início de uma nova era "maravilhosa" para a Argentina.

"É um dia histórico, uma mudança de era que vai ser maravilhosa", afirmou Mauricio Macri, dirigindo-se, emocionado, aos apoiantes.

"Estou aqui porque vocês decidiram", realçou Macri, que, diante de mais de sete mil pessoas, agradeceu aos apoiantes por terem "acreditado que juntos" podem construir a Argentina sonhada.


O candidato eleito falava na sua sede de campanha depois de o rival, Daniel Scioli, candidato da coligação Frente para la Vitoria, apoiado pela chefe de Estado cessante, Cristina Kirchner, ter reconhecido a derrota.

Daniel Scioli reconheceu a derrota num discurso que enaltecia a "jornada democrática" das eleições e telefonou a Macri para felicitá-lo.

Maurício Macri fez o discurso próprio dos ganhadores de eleições presidenciais, apelando à unidade dos argentinos e prometendo "boas relações com todos os países do mundo". No discurso do Presidente eleito, a promessa de política externa contém uma alusão ao que poderá mudar no xadrez de forças latino-americano.

Trinta e dois milhões de argentinos foram chamados a votar domingo, na segunda volta das presidenciais, depois de na primeira volta, a 25 de outubro, Daniel Scioli ter obtido 37,08% dos votos e Mauricio Macri 34,15%. Da primeira para a segunda volta, Macri conseguiu mais quatro milhões de votos, ao passo que Scioli apenas foi buscar 2,5 milhões aos candidatos eliminados na primeira volta.

Na Argentina o voto é obrigatório. A taxa de participação rondou os 78%.